quarta-feira, 25 de março de 2009

Estou pensando em Deus...


"Ó Deus, quisestes que vosso Verbo se fizesse homem no seio da virgem Maria; daí-nos participar da divindade do nosso redentor, que proclamamos verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

na Unidade do Espírito Santo". AMém!

|P|A|U|S|A|

"Que eu reze não para ser preservado dos perigos, mas para encará-los de frente"
(Rabindranath Tagore).

A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galiléia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma agraciada", "plena da graça" divina?

Maria estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e auto-suficiência, Maria podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se tornar "escrava do Senhor", e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!

Tudo quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo.



Por isso a data de hoje marca e festeja este evento que se trata de um dos mistérios mais sublimes e importantes da História do homem na Terra: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento. Episódio que está narrado em várias passagens importantes do Novo Testamento.




A festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria, Lc 1,26-38, é comemorada desde o Século V, no Oriente e a partir do Século VI, no Ocidente, nove meses antes do Natal, só é transferida quando coincide com a Semana Santa.

Evangelho do Dia: "Aunciação"

+ Dominus Vobiscum!

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!".

29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30o anjo, então, disse-lhe: "Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim".

34Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?" 35O anjo respondeu: "O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível".

38Maria, então, disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" E o anjo retirou-se. - Palavra da Salvação!

Autodomínio; por Pe. Léo SCJ





O futuro é o tempo que será construído por nós. O passado não volta e o presente, muitas vezes, é imutável. Mas se não tivemos a oportunidade de escolher nosso passado, podemos escolher e planejar nosso futuro. Com isso, vamos nos afeiçoando às coisas lá de cima.





Buscar as coisas do alto é caminhar para uma meta que sabemos que podemos atingir.





Deus está do nosso lado. O ser humano foi criado para dominar o mundo e as coisas do mundo. Deus o criou como parceiro. Temos o Espírito Santo que nos inspira e impulsiona para as coisas de Deus. Ele, que conhece as coisas do alto, nos ensina a amá-las e a gestá-las no coração.





Não adianta nada dominarmos as máquinas se as pessoas não conseguem se dominar. O primeiro domínio que devemos exercitar é o domínio sobre nós mesmos, sobre nossos desejos, acolhendo aquilo que está de acordo com as coisas do alto e rejeitando tudo aquilo que nos atrapalha na caminhada.





A certeza da morte e da vida eterna nos ajuda nesse processo. O medo da morte ou a tentação de se achar imortal, vivendo como se a morte não existisse, é uma das grandes causas da infelicidade humana. Não adianta amenizar a morte. Ela é a nossa única certeza. Sabendo disso, devemos canalizar nossa vida para valores que vencem a morte, que ultrapassam a morte, como Jesus fez e nos ensinou.





Essa certeza deve tornar-se também um parâmetro para que possamos julgar nossas ações, palavras e pensamentos. Se não sou eterno, o que tornarei eterno com minha vida? É preciso deixar marcas de eterno por onde passamos e com quem convivemos.





Buscar as coisas do alto é saber que essa meta é possível de ser alcançada. Não é fácil. Fácil é ir para o inferno, já que não exige esforço nenhum. As coisas de Deus são sempre difíceis, porque nos apegamos demais às coisas aqui da terra. Aliás, a dor maior que sentimos em nossas perdas é exatamente a dor do apego. Achamos que tudo é nosso e vivemos a ilusão de que tudo depende da gente.





Quando temos muita coisa para olhar e para cuidar, não olhamos para o essencial, aquilo que está além do óbvio.












(Artigo extraído do livro “Buscai as coisas do alto” do saudoso padre Léo)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Música do dia...



Ah! Se pudéssemos contar

As voltas que a vida dá

Prá que a gente possa

Encontrar um grande amor...


É como se pudéssemos contar

Todas estrelas do céu

Os grãos de areia desse mar

Ainda assim...


Pobre coração

O dos apaixonados

Que cruzam o deserto

Em busca de um oásis em flor

Arriscando tudo por

Uma miragem

Pois sabem que há uma fonte

Oculta nas areias...


Bem aventurados

Os que dela bebem

Porque para sempre

Serão consolados...


Somente por amor

A gente põe a mão

No fogo da paixão

E deixa se queimar

Somente por amor...


Movemos terra e céus

Rasgando sete véus

Saltamos do abismo

Sem olhar prá trás

Somente por amor

E a vida se refaz...


Somente por amor

A gente põe a mão

No fogo da paixão

E deixa se queimar

Somente por amor...

Movemos terra e céus

Rasgando sete véus

Saltamos do abismo

Sem olhar prá trás

Somente por amor

A vida se refaz

E a morte não é mais

Prá nós!...

Estou pensando em Deus...

"Ó Deus, que renovais o mundo com admiráveis sacramentos, fazei a vosso Igreja caminha segundo vossa vontade, sem que jamais lhe faltem neste mundo os auxílios de que necessita.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo". Amém!

|P|A|U|S|A|


"A falsa ciência gera ateus, a verdadeira ciência faz com que os homem se ajoelhem diante de Deus" (Voltaire).

Hoje, 23/03/2009: Dia de São Turíbio de Mongrovejo!!!






Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica.





Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério.






Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio. O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio.






Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam.






Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores. Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembléias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização.






Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios.







Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres. Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto, que revelou o conteúdo de toda sua vida.








Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru.






Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo "apóstolo e padroeiro do Peru", para ser celebrado no dia do seu trânsito.

Sufrágios de mim mesmo...


Quem seria eu?

Permita-me, pois, voltar-me, por uns instantes para dentro de mim mesmo e lá, sozinho e afastado de todos, redescobrir-me...

Primeiro, percebo que uma resposta traz sempre um questionamento e, sendo assim, uma série de perguntas infinitas...
Definir é buscar uma finitude!

- Eis um problema!

Sei que sou ‘imagem e semelhança’ do criador (cf. Gn. 1, 27);
Vestígio da Glória do Altíssimo e Onipotente Senhor Deus do Universo;
Sei que fui criado para o louvor e glória de Cristo Jesus;
Sei que sou tão pecador;
Tão limitado;
Cheio de máculas e de chagas...
Sei que sou ferido pelo pecado;
Que sou tão frágil e limitado.

Sei que sou um ser de contradições;
Ora eu amo, ora eu abomino!
Sei que sou assim...
Não é preciso ninguém ratificar esse fato.

- Eu sou uma inconstante interrogação a mim mesmo!

Sou, talvez, o pesadelo de alguns...
De tantos, apenas um sonho!

Eu sou o livre vôo da gaivota,
Que se lança rumo ao céu desconhecido
A desbravar cada nuvem,
Experimentando a doce

E singela sensação de liberdade...

Sou, talvez, quem eu queira
Que os outros sejam a mim...
Talvez eu seja um pouco de tudo
Que eu já tenha lido e vivido...


Para uns, sou uma sequela maldita...
Para tantos, eu sou remédio que cura!

Talvez nem eu mesmo sem quem sou...

Sei que sonho muito!
E isso é tudo...



Luiz Felipe P. de Melo.
21/03/2009.

domingo, 22 de março de 2009

Pausa Poética...

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma./ A alma é que estraga o amor./ Só em Deus ela pode encontrar satisfação. / Não noutra alma. / Só em Deus — ou fora do mundo. / As almas são incomunicáveis./ Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. / Porque os corpos se entendem, mas as almas não.” (Manuel Bandeira).

Frases da Semana...

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que às vezes poderíamos ganhar pelo medo de tentar." [ William Shakespeare ]

"Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos..." [ William Shakespeare ]

"Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos." [ Jean-Paul Sartre ]

"Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão." [ Jean-Paul Sartre ]

"Resolve fazer o que deves, e não deixes de fazer o que tiveres resolvido." [ Benjamin Franklin ]

"Há homens que enlouquecem por quererem saber muito. Mas quem me aponta um só que tenha enlouquecido por querer ser bom?" [ Benjamin Franklin ]

Deus nos fala!


"Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza de sua graça.

Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão, para que nós as praticássemos."


(Efésios 2, 6-10).

|P|A|U|S|A|

"Não podemos julgar a cruz do próximo,pois cada um tem um peso diferente" (Antônio Isaías de Abrão).

Alegrai-vos! É chegado tempo oportuno, o 'kairós'...


Hoje a liturgia nos convida a nos alegrar porque se aproxima a Páscoa, o dia da Vitória de Cristo sobre o Pecado e sobre a Morte... Eis que um novo tempo está próximo! A antífona inicial resume, pois, toda a centralidade da nossa celebração de hoje: Alegrai-vos - é o Senhor da Justiça que nos convida - pois a Festa das festa está mais próxima!





No meio da Quaresma, na metade do caminho para a a Celebração da Ressurreição do Senhor, a Igreja nos convida à alegria pela aproximação da Santa Páscoa. Daí hoje a cor rosácea (um tom amis leve) e as flores na igreja. “Alegra-te, Jerusalém!” – Jerusalém é a Igreja, é o Povo santo de Deus, o Novo Israel, é cada um de nós... Alegremo-nos, apesar das tristezas da vida, apesar da consciência dos nossos pecados! Alegremo-nos, porque a misericórdia do Senhor é maior que nossa miséria humana!




Inspirandos na primeira leitura da liturgia de hoje, que narra o convite ao povo exilado para regressar a Jerusalém e reconstruir o templo do Senhor, todos nós somos convidados a refletir sobre o regresso à nossa terra, é-nos feito um audacioso convite, retornar às nossas origens e, evocando o Poverello de Assis, "pois pouco ou nada fizemos".




Não muito diferente da realidade do povo da Antiga Aliança, essa também é a nossa. Somos infiéis e incapazes de propagar esse Deus que nos retirou da condição de escravos e nos deu uma nova vida. Já deveríamos ter visto isso claramente a essa altura da Quaresma! É trágico, na primeira leitura, o resumo que o Livro das Crônicas traçou da história de Israel: “Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs. O Senhor Deus dirigia-lhes a palavra por meio de seus mensageiros, porque tinha compaixão do seu povo. Mas, eles zombavam dos enviados de Deus, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não teve mais jeito”. Com estas palavras dramáticas, o Autor sagrado nos explica o motivo do terrível e doloroso exílio da Babilônia: Israel fez pouco de Deus, virou-lhe as costas; por isso mesmo, foi expulso do aconchego do Senhor na Terra que lhe fora prometida, perdeu a liberdade, o Templo, a Cidade Santa, e tornou-se escravo no Exílio de Babilônia. Aqui aparece toda a gravidade do pecado, que provoca a ira de Deus! É sempre essa a conseqüência do pecado: o exílio do coração, a escravidão da vida!




Mas, ao mesmo tempo, e diria até de forma paradoxal, Deus em sua infinita misericórdia, Se-nos dá através de seu único Filho, O qual Ele pôs todo o seu agrado... "Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. E por graça que vós sois salvos"! Assim nos fala o apóstolo Paulo na segunda leitura... A misericórdia do Plano Salvífico de Deus se concretiza em Jesus Cristo. Como também diz São Paulo, "é pela graça que nós fomos salvos" e, é este o motivo de nossa alegria... Fomos salvos pois Deus lançou suas vistas sobre as nossas misérias, se compadecendo de nós, nos deu a vida de seu Filho... O perfeito sacríficio, a própria imolação pascal.!




Fica assim evidente a atitude que deve ter o homem diante dos acontecimentos que vive e dos quais é protagonista. Deve saber colher, em sua fatualidade, a "palavra" de Deus. Fazer a verdade é compreender esta palavra. Crer em Cristo é receber a luz que dá sentido ao que acontece. Isto não é uma conquista nossa, é um dom de Deus, dom que, fazendo-nos compreender sua vontade, salva-nos (evangelho e 2ª leitura). Toda a nossa vida e a história adquirem sentido, definem um plano que se realiza no tempo.




O relato evangélico, em consonância com as leituras anteriores, vem nos comunicar sobre o Amor... São João, considerado o evangelista do amor, é aquele que tão sabiamente define Deus como sendo "amor". O Senhor, com palavras comoventes, explica a Nicodemos a sua missão: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho unigênito, para que não morra todo aquele que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”. Eis aqui, a chave de interpretação de toda a Liturgia da Palavra de hoje... Alegremo-nos, pois, Deus nos deu seu Filho para que nós não morréssemos...




Porque “estávamos mortos por causa de nossos pecados”, Deus, na sua imensa misericórdia, nos deu a vida no seu Filho único. Vede, irmãos: há duas realidades que são bem concretas na nossa existência. Primeiro, a realidade do nosso pecado. Nesta metade de caminho quaresmal, é preciso que tenhamos a coragem de reconhecer que somos pecadores, que temos profundas quebraduras interiores, paixões desordenadas, desejos desencontrados que combatem em nós... Quantas incoerências, quantos fechamentos para Deus e para os outros, quantas resistências à graça, quantas máscaras!




É preciso que nos libertemos, pois, de tudo aquilo que nos impede de bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, para que não mais sejamos os mesmos, porém, novas criaturas!




Também hoje há quem lamente a destruição dos privilégios - das instituições cristãs -, e não saiba ver o valor profundo dessa situação, suscetível de uma leitura aberta e cheia de esperança. Se a Igreja não goza mais de privilégios e atenções, se caminhamos para uma situação de "diáspora", e o momento da fidelidade interior (talvez obscura), do apoio que vem não mais de uma sociedade cristã, mas de pequenas comunidades que encontram sua força na meditação da palavra de Deus. É uma esperança lúcida e penosa numa nova primavera da Igreja, cujo tempo e cujas modalidades cristão nas mãos de Deus.



Neste ano em que a Igreja do Brasil nos convida à reflexão sobre Segurança Pública, precisamos perceber que, como canta o hino da CF:


"É vão punir sem superar desigualdades; É ilusão só exigir sem antes dar. Só na justiça encontrarás tranquilidade; Não-violência é o jeito novo de lutar."


Desarmemos, pois, os nossos corações e, inspirados pelo Espírito da Verdade, possamos nós chegarmos à Pascoa de Jesus transformados pelo amor... Amor este que é evidenciado no ato de entrega do Cristo na cruz, onde, ela - a cruz - foi o trono que Jesus possuiu aqui na terra.




Recordemos que hoje, no Evangelho, após mostrar o imenso amor de Deus pelo mundo, a ponto de entregar o Filho amado, Jesus nos previne duramente: "Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito”. Ora, caríssimos, acreditar no nome de Jesus não é aderir a uma teoria, mas levá-Lo a sério na vida pelo esforço contínuo de conversão à sua Pessoa divina e à sua Palavra Santa!


Crede, irmãos, crede, irmãs! Crede não com palavras vãs! Crede com o afeto, crede com o coração, crede com os lábios, mas, sobretudo, crede com as mãos, com os vossos atos, com a prática da vossa vida! De verdade creremos na medida em que de verdade nos abrirmos para a sua luz; pois “o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz”.


Coragem! Ponham-se a caminho! Olhem o futuro com esperança, confiem nas promessas de Deus e vivam na sua Verdade... Alegrem-se, não esmoreçam!


Que o Senhor nos dê a graça de ver realisticamente nossos pecados, reconhecê-los humildemente e confessá-los sinceramente, para celebrarmos verdadeiramente a Páscoa que se aproxima e dela participar eternamente na glória do céu.



Luiz Felipe P. de Melo.


IV DOMINGO DA QUARESMA; ANO B

22 de março de 2009.

Evangelho de Domingo - Jo 3, 14-21





† Dominus Vobiscum!





Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14"Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer; mas tenha a vida eterna.

17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram mas. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. - Palavra da Salvação!

Hoje é Domingo: O dia do Senhor!



"Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações" (Is 66, 10-11).

sexta-feira, 20 de março de 2009

Hoje, dia 20/03/2009: Dia de Santa Maria Josefina do Coração de Jesus Sancho de Guerra!!!





Maria Josefina era a primogênita de Barnabé Sancho, serralheiro, e de Petra de Guerra, doméstica. Nasceu em Vitória, Espanha, no dia 07 de setembro de 1842, tendo recebido o batismo no dia seguinte.





Ficou órfã de pai muito cedo e foi sua mãe que a preparou para a Primeira Comunhão, recebida aos dez anos.






Completou a sua formação e educação em Madri na casa de alguns parentes, e desde muito cedo começou a demonstrar uma grande devoção à Eucaristia e a Nossa Senhora, uma forte sensibilidade em relação aos pobres e aos doentes e uma inclinação para a vida interior. Regressou a Vitória aos dezoito anos e logo manifestou à sua mãe o desejo de entrar num mosteiro, pois se sentia atraída pela vida de clausura.





Mais tarde, costumava dizer: "Nasci com a vocação religiosa". Foi assim que decidiu entrar no Instituto Servas de Maria, recentemente fundado em Madri por madre Soledade Torres Acosta. Com a aproximação da época de fazer sua profissão de fé, foi assaltada por graves dúvidas e incertezas sobre sua efetiva chamada para aquele Instituto. Admitiu essa disposição à vários confessores, chegando até a dizer que tinha se enganado quanto à própria vocação.







Mas, os constantes contatos com o arcebispo de Saragoça, futuro Santo, Antônio Maria Claret e as conversas serenas com madre Soledade Torres Acosta, amadureceram nela a possibilidade de fundar uma nova família religiosa, que se dedicasse aos doentes, em casa ou nos hospitais. E foi assim que aos vinte e nove anos ela fundou o Instituto das Servas de Jesus, na cidade de Bilbao, em 1871. Depois por quarenta e um anos, foi a superiora do Instituto. Acometida por uma longa e grave enfermidade que a mantinha ou no leito ou numa poltrona, sofreu muito antes de seu transito, sem contudo deixar sua atividade de lado.







Através de uma intensa e expressa correspondência, solidificou as bases dessa nova família. No momento da sua morte, em 20 de março de 1912, havia milhares de religiosas, espalhadas por quarenta e três casas.






A sua morte foi muito sentida em toda a região e o seu funeral teve uma grande manifestação de pesar. Os seus restos mortais foram trasladados para a Casa-Mãe, em Bilbao, onde ainda se encontram. Os pontos centrais da espiritualidade de madre Maria Josefina podem definir-se como: um grande amor à Eucaristia e ao Sagrado Coração de Jesus; uma profunda adoração do mistério da Redenção e uma íntima participação nas dores de Cristo e na Sua Cruz; e a completa dedicação ao serviço dos doentes, num contexto de espírito contemplativo.







O seu carisma de serviço aos enfermos ficou bem claro nas palavras por ela escritas: "Desta maneira, as funções materiais do nosso Instituto, destinadas a salvaguardar a saúde corporal do nosso próximo, elevam-se a uma grande altura e fazem a nossa vida ativa mais perfeita que a contemplativa, como ensinou o Doutor angélico, São Tomás d'Aquino que falou dos trabalhos dirigidos à saúde da alma, que vêm da contemplação" (Directorio de Asistencias de la Congregación Religiosa Siervas de Jesús de la Caridad, Vitória 1930, pág. 9).







É com este espírito, que as Servas de Jesus têm vivido desde a morte de Santa Maria Josefina. O serviço dos doentes tornou-se, assim, a oblação generosa das suas vidas, seguindo o exemplo da sua Fundadora. Hoje espalhadas pela Europa, América Latina e Ásia, as Servas procuram dar pão aos famintos, acolher os doentes e outros necessitados, criar centros para pessoas idosas, desenvolvendo sempre a pastoral da saúde e outras obras de caridade.







Elas também estão presentes em Portugal. A causa da canonização de madre Maria Josefina começou em 1951; foi solenemente beatificada pelo Papa João Paulo II em 1992 e depois canonizada em 01 de Outubro de 2000, pelo mesmo pontífice, em Roma.

Desabafos...


Percebo que nunca vivo o real, porém, vivo o ilusório! Tudo me parece ser fictício!


Percebo que as coisas não são, estão...



As pessoas passam umas pelas outras e existe uma lacuna enorme, ninguém mais se cumprimenta (Bom dia!)

Todos tã atarentados; altamente atarefados; exacerbadamente cheios de tudo...


Cheios da vida, da lida, das coisas do mundo!



Tudo parece-me tão supercial!


Tudo tão cheio de rótulos e aparências... Tudo tão cheio de mesmices e chatisses!


Tudo me causando rumores, temores, dores...


Às vezes nem eu mesmo me aguento...

Eu mesmo estou cansado de me reinventar...

Estou farto de me buscar no outro e, chocado, perceber que só me encontro em mim mesmo!


Os dias passam tão lentamente!


Só decepções!




Parece que estou num caminho distinto da meta...


É preciso, evocando Heidegger, voltar as coisas mesmas...





Luiz Felipe P. de Melo

20/03/09.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Música do dia...

Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...
Te devoraria
A qualquer preço,
Porque te ignoro,
Te conheço,
Quando chove ou
Quando faz frio,
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo DiCaprio...
É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,S
em saber de ti
Jogado à Solidão,
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você...(2x)
Viver, viver
Pra esperar você,
Quero viver
Pra esperar você,
Quero esperar você...

Pausa Poética...

"Que minha loucura seja perdoada,
Pois, metade de mim é amor,
E a outra também"

(Gregório de Matos).

Estou pensando em Deus...

"Deus todo-poderoso, pelas preces de São José, a quem confiastes as primícias da Igreja, concedei que ela possa levar à plenitude os mistérios da salvação.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo!" Amém!

Deus nos fala!

"Eis o servo fiel e prudente, a quem o Senhor confiou a sua casa" (Lc 12, 42).

|P|A|U|S|A|

"Educação nunca foi despesa.
Sempre foi investimento com retorno garantido" (Arthur Lewis).

Hoje, dia dezenove de março do ano graça de dois mil e nove: Dia de São José!!!




São raros os dados sobre as origens, a infância e a juventude de José, o humilde carpinteiro de Nazaré, pai terrestre e adotivo de Jesus Cristo, e esposo da Virgem de todas as virgens, Maria.






Sabemos apenas que era descendente da casa de David. Mas, a parte de sua vida da qual temos todo o conhecimento basta para que sua canonização seja justificada. José é, praticamente, o último elo de ligação entre o Velho e o Novo Testamento, o derradeiro patriarca que recebeu a comunicação de Deus vivo, através do caminho simples dos sonhos. Sobretudo escutou a palavra de Deus vivo. Escutando no silêncio e pondo-A em prática.






Nas Sagradas Escrituras não há uma palavra sequer pronunciada por José. Mas, sua missão na História da Salvação Humana é das mais importantes: dar um nome a Jesus e fazê-lo descendente de David, necessário para que as profecias se cumprissem. Por isso, na Igreja, José recebeu o título de "homem justo". A palavra "justo" recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arrogou para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Esperou a chamada do Senhor e em silêncio respeitou o mistério, deixando-se orientar pelo Altíssimo. Quando recebeu a tarefa, cumpriu-a com dócil responsabilidade: escutou solícito o anjo, quando se tratou de tomar como esposa a Virgem de Nazaré, na fuga para o Egito e no regresso para Israel (Mt 1 e 2, 18-25 e13-23). Com poucos, mas significativos traços, os evangelistas o descreveram como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerceu a autoridade familiar numa constante atitude de serviço.





As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência. Somente uma fé profunda poderia fazer com que alguém se mostrasse tão disponível à vontade de Deus.






José amou, acreditou, confiou em Deus e no Messias, com toda sua esperança. Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte. Os teólogos acreditam que José tenha morrido três anos antes da crucificação de Jesus, ou seja quanto Ele tinha trinta anos.




Por isso, hoje é dia de festa para a Fé.




O culto a São José começou no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade.




Em 1870, o Papa Pio IX o proclamou São José, padroeiro universal da Igreja e, a partir de então, passou a ser venerado no dia 19 de março. Porém, em 1955, o Papa Pio XII fixou também, o dia primeiro de maio para celebrar São José, o trabalhador. Enquanto, o Papa João XXIII, inseriu o nome de São José no Cânone romano, durante o seu pontificado.





Rogai por nós São José, para que sejamos dignos das promessas do Vosso filho adotivo!


Filhos da Páscoa; por Pe. Fábio de melo, SCJ




Da esperança, a dor; o sentido oculto que move os pés; o desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas rebordadas de alegrias.





Ir; um ir sem tréguas, senão as poucas pausas dos descansos virtuosos que nos devolvem a nós mesmos. Idas que não findam e que não esgotam os destinos a serem desbravados. Passagens; páscoas e deslocamentos.





Eu vou. Vou sempre porque não sei ficar. Vou na mesma mística que envolveu os meus pais na fé, os antepassados que viram antes de mim. Vou envolvido pela morfologia da esperança; este lugar simples, prometido por Deus, e que os escritores sagrados chamam de Terra Prometida. Eu quero. O lugar sugere saciedade e descanso. Sugere ausência de correntes e cativeiros...





Ainda que o caminho seja longo, dele não desisto. Insisto na visão antecipada de seus vislumbres para que o mar não me assuste na hora da travessia. Aquele que sabe antecipar o sabor da vitória, pela força de seu muito querer, certamente terá mais facilidade de enfrentar o momento da luta. O povo marchava nutrido pela promessa. A terra seria linda. Nela não haveria escravidão. Poderiam desembrulhar as suas cítaras; poderiam cantar os seus cantos; poderiam declamar os seus poemas. A terra prometida seria o lugar da liberdade...





Mas antes dela, o processo. Deus não poderia contradizer a ordem da vida. Uma flor só chega a ser flor depois que viveu o duro processo de morrer para suas antigas condições. O novo nasce é da morte. Caso contrário Deus estaria privando o seu povo de aprender a beleza do significado da páscoa. Nenhuma passagem pode ser sem esforço. É no muito penar que alcançamos o outro lado do rio; o outro lado do mar...





E assim o foi. O desatino das inseguranças não fez barreira às esperanças de quem ia. O mar vermelho não foi capaz de amedrontar os desejantes da Terra, os filhos da promessa. Pés enxutos e corações molhados, homens e mulheres deitaram suas trouxas no chão; choraram o doce choro da vitória, e construíram de forma bela e convincente o significado do que hoje também celebramos. A vida cresceu generosa. O significado também. Ainda hoje somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa.





Os mares existem; os cativeiros também. As ameaças são inúmeras. Mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva dizer: Eu não vou desistir!E assim seguimos. Juntos. Mesmo que não estejamos na mira dos olhos.








O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia...




Pe. Fábio de Melo, SCJ.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Catequista: Uma vocação, um Ministério


A catequese tem como finalidade específica a de desenvolver, com a ajuda de Deus, uma fé ainda inicial e de promover em plenitude e alimentar cotidianamente a vida cristã dos fiéis de todas as idades. Trata-se, com efeito, de fazer crescer, no plano do conhecimento e na vida, o gérmen de fé semeado pelo Espírito Santo, com o primeiro anúncio do evangelho, e transmitido eficazmente pelo Batismo.
A catequese de primeira Eucaristia introduz a criança e o pré-adolescente na vida da Igreja, compreendendo também uma preparação para a celebração dos sacramentos, apresentando os mistérios principais da fé e comunicando aos jovens a alegria de serem testemunhas de Cristo no meio em que vivem. Pensamos que a catequese não pode ignorar o delicado período de vida que crianças e pré-adolescentes atravessam no mundo atual. Portanto, ela deve ser capaz de ajudá-los a uma revisão de sua própria vida, ao diálogo, apresentando Jesus Cristo como amigo, como guia e como modelo, suscetível de provocar admiração e, como conseqüência, a sua imitação.
Não muito diferente, a catequese de crisma tem como principal finalidade dar a conhecer Jesus... Levar esse Jesus aonde muitas vezes Ele não tem espaço para entrar. Levá-Lo a jovens inseridos num contexto familiar, por vezes traumático. E dentro desse diligenciar fazer com que os mesmos possam fazer uma experiência profunda de oração e de viveência com e no Espírito Santo, encoranjando-os a sairem do comodismo e ir ao encontro de Jesus que se manifesta na pessoa dos mais carentes.
A catequese apresenta o evangelho que paulatinamente vai sendo compreendido e acolhido como algo capaz de dar um sentido à vida e, por isso, de inspirar atitudes de outra forma inexplicáveis, por exemplo: renúncia, desapego, mansidão, justiça e fidelidade aos compromissos. Desde a primeira infância até o limiar da maturidade, a catequese torna-se, pois, uma escola permanente da fé e segue as grandes linhas da vida, como um farol que iluminará o caminho da criança, do adolescente e do jovem.
O catequista também deve ter uma formação permanente. Todos somos alunos e discípulos da vida e da fé desde a infância até a terceira idade. O catequista cresce na fé à medida que, inserido no grupo de catequistas, vai ajudando os outros a progredirem na fé. Os apóstolos cresceram na fé seguindo Jesus e evangelizando como Ele. Também o catequista, ao evangelizar, é evangelizado; enquanto dá, recebe; enquanto faz os outros caminharem na fé, dá largos passos no crescimento da própria fé.
Santo Agostinho afirma: “O Espírito Santo acende no coração dos fiéis um desejo mais vivo à medida que cada um vai progredindo na caridade, que o leva a amar ainda mais aquilo que já conhece e a desejar o que desconhece”. O nosso trabalho é anunciar Jesus Cristo. Ser catequista é acolher, com amor e dedicação, uma vocação - missão de fundamental importância, pois quem responde SIM a essa vocação se coloca à disposição para ajudar os que já seguem Jesus a serem discípulos mais conscientes, coerentes, maduros e generosos.
Ser catequista é colaborar com a graça de Deus e com a pessoa, para que ela assuma seu sim a Deus, e avance rumo à maturidade na fé, na esperança e no amor. Cabe à pessoa que sente o chamado a ser catequista procurar os meios de apresentar o Reino de Deus. Como nos revela Jesus: “O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra, por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos. Quando o fruto está no ponto, imediatamente se lhe lança a foice, porque a colheita chegou” (Mc 4, 26-29).

|P|A|U|S|A|


"Quando não permitem que tua boca fale, seja um grito a tua vida" (Santo Antônio).

Hoje, 18 de março de 2009: Dia de São Cirilo de Jerusálem!!!




Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do nestorianismo causando profundas divisões.


Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345, foi ordenado sacerdote.


Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influencia na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirílo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa , porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378. O seu trabalho, entretanto resistiu a tudo e chegou até nossos dias e especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos.


Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã . Assim, seus escritos explicam detalhadamente os "como" e os "porquês" de cada oração, do batismo, da crisma, da penitência, dos sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja.. Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade.


Ele morreu no ano 386. Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semi-arianos.


Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiel postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloqüência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram "valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião". Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vascilante, como dizem os registros.


Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém, com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos.

Eis que me volto a contemplar a inércia da "mesmice" e, ao imergir em mim mesmo, redescubro e reinvento aquilo que pensava ser... Aquilo que eu pensava de mim mesmo, aquilo que, talvez os outros achem ao meu respeito.
Caminhando e reconstruindo; muito aprendendo e muito amando... Muito lutando e muito sonhando! Nunca desistindo... Às vezes caindo... Reanimando-me! Voltando-me ao ponto de partida. Reerguendo-me: aqui está a minha essência talvez! Fugindo! Correndo! A fuga de mim mesmo para que eu me reencontre no mundo! No mundo que eu vivo alheio... Mundo este que estou inserido!
Pouco conquistando... Lutando! Sonhando e, sobretudo, acreditando! Olhando para o alto... Erguendo às vistas ao mais alto céu! Creio que muito alto, mas é lá que devemos por os nossos sonhos e também as nossas conquistas.
Talvez, para uns eu seja mais um tolo, mais um amante-sonhador que tina em desbravar o oceano, o desconhecido. Talvez nem eu mesmo saiba ainda o que quero! Eu e minhas dúvidas...
Sei que eu amo tudo o que faço e isso somente não me basta!
Tenho os meus medos; minhas cicatrizes profundas. Tendo a presença ausente de minhas conquistas inexoráveis e de minhas lutas incursas medíocres, talvez.


Tendo presente que o vir-a-ser é ideal, mas, não impossível.

Acreditar em mim mesmo, talvez seja isso que me falte...
Talvez seja isso que eu não tenha!




Luiz Felipe P. de Melo
18/03/2009.

domingo, 15 de março de 2009

Música do dia...

Ah, se o povo de Deus no Senhor cresse,
Ah, se hoje atendesse sua voz! (Bis)

1. Ah, se a gente atendesse sua voz!
Vamos juntos fazer louvação,
Neste templo, aclamar o Senhor,
O rochedo prá nós salvação,
com alegria cantar seu louvor!

2. Ah, se a gente atendesse sua voz!
Grande Deus, sobre todos é rei.
Fez a terra, as montanhas, o mar.
De alto a baixo, o que existe é seu.
Nosso Deus tem o mundo na mão!

3. Ah, se a gente atendesse sua voz!
De joelhos, em adoração,
Na presença do Deus criador,
O rebanho do seu coração.
Ele é nosso Deus e Pastor!

4. Ah, se a gente atendesse sua voz!
Sem a ele fechar o coração,
Como outrora fizeram os pais,
No deserto uma provocação,
Esquecidos do Deus Salvador.

5. Ah, se a gente atendesse sua voz!
“Desgostou-me tão má geração.
Por quarenta anos peregrinou,
De mim longe o seu coração.
O repouso, jurei não lhe dar”.

Pausa Poética...

"Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a bênção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar"

(Trecho do 'Canto ao Irmão Sol', ou tmabém chamado 'Cântico das Criaturas', entre 1225 e 1226, quando São Francisco de Assis já estava quase que totalmente cego, doente e bem próximo da morte o compôs).

Estou pensando em Deus...


"Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos conformados pela vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo"(Oração do Dia).

|P|A|U|S|A|


Jesus revolta-se contra a exploração e todo tipo de idolatria!


Estamos a caminhar rumo à Pascoa de Jesus... É o mesmo Senhor que nos congrega em torno de Sua Palavra, sendo que, hoje Ele se demonstra diferente aos nossos olhos. O Jesus compassivo e piedoso, dá lugar a um Jesus revoltado; a um Jesus profundamente entristecido com as práticas dos cambistas dentro do templo.


O trecho do evangelho está diretamente ligado à uma expressão retirada da 1ª leitura de hoje, retirada da Torah:


"Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim" (Dt. 20, 2s).


Ora, aqui percebemos que outros deuses são estes... O deus do ter, do prazer e do poder... A idolatria que a Lei de Deus vai de encontro, reside, pois, na retirada, ou melhor, na descentralização de Deus, colocando no âmago do nosso ser, por exemplo o dinheiro; cobiça; a ganância. Práticas como essas tão contestadas por Jesus.


Jesus ao chegar no templo, lugar de oração; a casa de Deus; a Tenda do Senhor, depara-se com uma situação explorativa... Exploração, esta que faz com que Jesus tome a atiude de chicotear a todos... Talvez, alg muito forte para um povo que já se acostumara com tais práticas, mas, para Jesus foi o correto. Expulsando aquele povo, repreende-os:


"Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!" (Jo. 2, 15b).


A exploração que existia no templo era quase que semelhante, se talvez não fosse maior, a qual existia em mercados públicos. A Casa de Deus é um lugar de oração, um lugar onde Deus quer encontrar-se com seu Povo, não um lugar de exploração, de comércio!


É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo; é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia!


O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!” (Dt 10,17).


Por isso Jesus age de modo tão violento: "...fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas". Que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, um gesto que vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo...


Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical... e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco dele! Correremos o risco de perdê-lo, de sermos rejeitados do seu coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus!


Os judeus, contrariados, não entendem tal ação.. Surpreedem-se, tomando a palavra, indagam a Jesus:


"Que sinal nos mostras para agir assim?" (Jo. 2, 18b).


Jesus, utilizando-se de uma linguagem prefigurativa e ao mesmo tempo profética, fala que destruirá o templo, mas, em três dias reerguerá... Este templo quer ser, concomitantemente, o corpo de Jesus e nós, a Igreja, os membros de Cristo... Morrendo com Cristo na cruz, somos convidados a ressurgirmos pela força do Espírito Santo.


É interessante, aqui, que nos voltemos à primeira leitura e compreendamos que, a promulgação da Lei é um momento fundamental na história da salvação, caracterizado pela intervenção explícita de Deus que exprime a parte de Israel na aliança.

O aspecto mais original do "Código da aliança" é sua premissa: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz sair do Egito, de uma casa de escravidão; não terás outros deuses diante de mim..." o Deus que se revelou libertador do povo por ele escolhido livremente como aliado e amigo, indica-lhe o caminho da liberdade.


Liberdade que não se compraz em simplesmente ir ao templo; fazer nossas ofertas... Mas cumprir a Lei do Senhor!


Frequentemente, nossa aliança com Deus é reduzida a uma apressada visita dominical a uma igreja ou a um passeio turístico a algum santuário. O tédio da monotonia cotidiana abafa muitas vezes os gestos mais entusiastas.


Muitos cristãos são capazes de atos heróicos uma vez por ano, e depois se deixam enveredar nas malhas da esclerose espiritual e do legalismo. O cristianismo não consta de práticas a cumprir em determinados momentos.


A confissão, por exemplo, não é um problema de estatística. A justiça deve ser aplicada, mesmo que por isso nos considerem "pouco espertos". Perante a "lei de Cristo", uma pequena fraude cometida contra um irmão não é julgada segundo seu valor real, mas segundo a lei do amor. As pequenas infidelidades endurecem nossa sensibilidade a tal ponto que não podemos mais ouvir os chamados concretos de Cristo; e que, imperceptível, mas inexoravelmente, na ânsia de autojustificação, forma-se em nós outra lei que não é mais a de Cristo. A lei de Cristo é algo mais do que uma rígida lei pela qual se possa dizer: "Até aqui e basta". Jesus transforma a lei em um compromisso de amor e o amor nunca diz: "Basta". Assim, a lei se toma mais comprometedora. Isso é evidente na perspectiva em que Jesus põe o juízo: Mt 25, 31-46.


Depois de Jesus, toda falta do homem é uma falta de amor. E nada é mais grave. Mas, ao mesmo tempo, tudo é pessoal. Comete-se uma falta diante de um homem e diante de Deus. Mas podemos sempre recomeçar. Contanto que estejamos em caminho. Que tenhamos fome e sede daquela justiça que é justiça de amor.


Peçamos, pois, ao Espírito Santo, Aquele que levou Jesus ao deserto, que inflame as nossas almas de amor e que ajudados pela Sua bondade, possamos todos nós chegarmos à Páscoa de Jesus renovados com o compromisso de seguir os preceitos do Senhor e não fazer a nossa pura vontade!





Luiz Felipe P. de Melo.

III Domingo da Quaresma; ano B

15/03/09