quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

|P|A|U|S|A|


"Não há penitência melhor do que aquela que Deus coloca em nosso caminho todos os dias" (Dom Hélder Câmara).

Refletere!

O Evangelho de hoje, nos convida mais intensamente a refletirmos sobre a nossa caminhada de vida...
"Misericórdia ó Senhor, pois pecamos" (Salmo 50, 1). Percebam como a Igreja está hoje, a melodia do Salmo é uma melodia triste. O clima da Igreja é este, entramos num clima de reflexão, não é de alegria, de gritos, é de tristeza.
Deus é amor, é bom, mas, nossas atitudes não são boas diante d'Ele, e a Igreja está dizendo a este Deus que é bom: "Tende piedade". Nós não vamos chegar pulando diante de Deus pedindo perdão, não é tempo dos católicos ficarem dançando com euforia, são quarenta dias de "tristeza". É tempo dos cristãos estarem revestidos de cinzas pedindo a Deus perdão.
É chegado o oprtuno momento de silenciar não somente os nossos lábios, porém, o coração também. O Senhor nos convida a por em prática todos os preceitos divinos fora do alcance da vista dos outros... Convida-nos a ser silenciosos, a nos voltar inteiramente a Deus e ao Seu Projeto de Salvação.
A Igreja hoje, inicia um período que rememora os quarenta anos que Moisés caminhou com o Povo de Deus pelo deserto, assim, também nós somos convidados a caminhar, lado a lado, com o Deus da Esperança. É também rememorar os quarenta dias de penitência que Cristo pasou após o Batismo.
“Agora, diz o Senhor: "voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (Joel 2, 12).
Por que lágrimas? Porque o povo vivia longe de Deus. O pecador vai diante de Deus chorando, quarenta dias de choro, lágrimas.
“Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembléia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (Joel 2, 15-16). Somos convidados à rezar, Deus está pedindo! É preciso olhar como estamos diante de Deus... É preciso fazer penitência.
Eis o tempo propício para nos voltarmos para nós mesmos; para as nossas práticas cotidianas...
Desse modo, o texto evangélico de hoje, apresenta-nos de modo claro as três práticas para esse tempo tão oportuno: esmolas, jejum e oração. Aqui, se encontra, os três alicerces básicos para a nossa caminhada quaresmal!
Nos esforcemos, pois, para por em prática os Conselhos Evangélicos e sobretudo, refletir um pouco mais sobre as injustiças cometidas ainda em pleno século XXI.

Evangeho de Jesus Cristo, segundo São Mateus



+ Dominus Vobiscum!


Naquele tempo, disse Jesus: - Tenham o cuidado de não praticarem os seus deveres religiosos em público a fim de serem vistos pelos outros. Se vocês agirem assim, não receberão nenhuma recompensa do Pai de vocês, que está no céu. - Quando você der alguma coisa a uma pessoa necessitada, não fique contando o que fez, como os hipócritas fazem nas sinagogas e nas ruas. Eles fazem isso para serem elogiados pelos outros. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando ajudar alguma pessoa necessitada, faça isso de tal modo que nem mesmo o seu amigo mais íntimo fique sabendo do que você fez. Isso deve ficar em segredo; e o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa. - Quando vocês jejuarem, não façam uma cara triste como fazem os hipócritas, pois eles fazem isso para todos saberem que eles estão jejuando. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eles já receberam a sua recompensa. Mas você, quando jejuar, lave o rosto e penteie o cabelo para os outros não saberem que você está jejuando. E somente o seu Pai, que não pode ser visto, saberá que você está jejuando. E o seu Pai, que vê o que você faz em segredo, lhe dará a recompensa. - Palavra da Salvação!



Mt 6,1-6.16-18

A paz é fruto da justiça (Is. 30, 17)


Hoje, com este lema damos início a um novo tempo na Igreja: a Quaresma. Diz-se do Tempo de Conversão. Tempo este que, a Igreja do Brasil convida-nos sempre a nos voltar para uma temática atual e propícia à reflexão.


Esse ano, a CNBB quer mostrar que não pode existir segurança pública onde não há paz, onde, necessariamente, para haver a paz deve existir justiça e, consequentemente ausência de ódio e de violência. Nesse sentido, nós não poderíamos pensar em segurança pública, sem que, ao mesmo tempo, exista uma sociedade justa.


A palavra paz provém do hebraico "shalom" que, quer dizer 'paz entre duas entidades' (geralmente duas nações) ou a paz interior de um indíviduo. Do latim, "pax", "Absentia Belli", pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações, e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.

No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, desconfiança e de um modo geral, todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pela pomba e pela bandeira branca.


Porém, a expressão "shalom" não designa tão somente a ausência de conflitos. Ela quer dizer inicialmente satisfação e todas as necessidades, de modo que não exista o medo de não conseguir tudo aquilo que é necessário para a plena realização humana. Shalom também significa a paz que se realiza na relação do homem com Deus, consigo próprio, com os demais irmãos e com a natureza.


Falar de paz é também falar de justiça. Quando se fala de justiça, encontramos alguns problemas exegéticos, pois, o termo que mais se aproxima da palavra justiça é "tsedacá". Uma primeira acepção que podemos inferir sobre esse termo é caridade. Traduzimos Tsedacá como "caridade" somente porque é difícil achar em português uma palavra que traduza o seu verdadeiro sentido. Pois, do ponto de vista judaico, Tsedacá é diferente de caridade. Em geral, as pessoas pensam, que ao doar algo a um pobre ou a uma instituição de caridade, dão algo que lhes pertence integralmente e, portanto, fazem um ato de bondade para o qual merecem agradecimento. Mas a palavra "Tsedacá" em hebraico significa na realidade "um ato de justiça". Dar "Tsedacá" é algo que devemos fazer, não como um ato de bondade, mas como um dever e obrigação, tal como pagar uma dívida.


Desse modo, chegamos à duas conclusões importantes:


1) dar a cada um aquilo que lhe pertence - nesse sentido, justiça, em primeiro lugar, significa que cada um deve ter tudo aquilo que é necessário para que sua dignidade seja respeitada integralmente;


2) cada um deve receber de acordo com os seus atos - vale ressaltar que, aqui justiça distingue-se claramente de vingança.


Na Bíblia, a justiça é restauradora, ou seja, a sua preocupação não é com a punição, todavia, com a superação dos problemas e a conversão

daqueles que erram, porque, visivelmente todo ato de injustiça é por natureza um ato de egoísmo, consequentemente, pecado.


Roguemos ao Deus da Esperança que nos proporcione uma experiência de renovação durante todo esse tempo quaresmal e, que imbuídos pelo Espírito Santo, reconhecendo os atos de desamor, cultivemos nós, uma vida de paz e jsutiça!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

|P|A|U|S|A|


QUEM EU SOU?; Pe. Fábio de Melo





Quem sou eu? Eu vivo para saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam.





O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.




De vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet ou até mesmo um e-mail que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou.




Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias em que vivemos.




O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.




Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.




Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.




Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.




Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado nesse processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

Hoje, 24 de fevereiro de 2009: Dia de São Sérgio da Cesaréia!


Sérgio, mártir da Cesarea, na Capadócia, por muito pouco não se manteve totalmente ignorado na história do cristianismo. Nada foi escrito sobre ele nos registros gregos e bizantinos da Igreja dos primeiros tempos.


Entretanto, ele passou a ter popularidade no Ocidente, graças a uma página latina, datada da época do imperador romano Diocleciano, onde se descreve todo seu martírio e o lugar onde foi sepultado. O texto diz que no ano 304, vigorava a mais violenta perseguição já decretada contra os cristãos, ordenada pelo imperador Diocleciano.


Todos os governadores dos domínios romanos, sob pena do confisco dos bens da família e de morte, tinham de executá-la. Entretanto alguns, já simpatizantes dos cristãos, tentavam em algum momento amenizar as investidas. Não era assim que agia Sapricio, um homem bajulador, oportunista e cruel que administrava a Armênia e a Capadócia, atual Turquia.


A narrativa seguiu dizendo que durante as celebrações anuais em honra do deus Júpiter, Sapricio, estava na cidade de Cesarea da Capadócia, junto com um importante senador romano. Num gesto de extrema lealdade, ordenou que todos os cristãos da cidade fossem levados para diante do templo pagão, onde seriam prestadas as homenagens àquele deus, considerado o mais poderoso de todos, pelos pagãos. Caso não comparecessem e fossem denunciados seriam presos e condenados à morte. Poucos conseguiram fugir, a maioria foi ao local indicado, que ficou tomado pela multidão de cristãos, à qual se juntou Sérgio.


Ele era um velho magistrado, que há muito tempo havia abandonado a lucrativa profissão para se retirar à vida monástica, no deserto. Foi para Cesarea, seguindo um forte impulso interior, pois ninguém o havia denunciado, o povo da cidade não se lembrava mais dele, podia continuar na sua vida de reclusão consagrada, rezando pelos irmãos expostos aos martírios. A sua chegada causou grande surpresa e euforia, os cristãos desviaram toda a atenção para o respeitado monge, gerando confusão. O sacerdote pagão que preparava o culto ficou irado. Precisava fazer com que todos participassem do culto à Júpiter, o qual, segundo ele, estava insatisfeito e não atendia as necessidades do povo. Desta forma, o imperador seria informado pelo seu senador e o cargo de governador continuaria com Sapricio.


Mas, a presença do monge produziu o efeito surpreendente de apagar os fogos preparados para os sacrifícios. Os pagãos atribuíram imediatamente a causa do estranho fenômeno aos cristãos, que com suas recusas haviam irritado ainda mais o seu deus.


Sérgio, então se colocou à frente e explicou que a razão da impotência dos deuses pagãos era que estavam ocupando um lugar indevido e que só existia um único e verdadeiro Deus onipotente, o venerado pelos cristãos. Imediatamente foi preso, conduzido diante do governador, que o obrigou a prestar o culto à Júpiter. Sérgio não renegou a Fé, por isto morreu decapitado naquele mesmo instante.


Era o dia 24 de fevereiro. O corpo do mártir, recolhido pelos cristãos, foi sepultado na casa de uma senhora muito religiosa. De lá as relíquias foram transportadas para a cidade andaluza de Ubeda, na Espanha.


Carnaval às vistas do sertanejo




A alegria rola solta na cidade.


Pessoas pulam, se divertem;


Crianças, jovens e adultos.


Todos cantam e se apaixonam.




Blocos líricos, cordas e tambores.


Máscaras, fantasias...


Felicidade e alegria,


Se confunem com mil cores.




Povo unido, festa grande...


Gente de todas as idades,


Se reúnem no Recife,


A mais bela das cidades.




O luxo e o lixo se confundem.


Praças, ruas e avenidas.


Todos frevam...


Na maior alegria de suas vidas.




O encanto dura pouco.


Somente três dias.


POvo todo, gente unida


No sol do dia-a-dia.




O galo já vem reinando,


Sob o sol que já está raiando.


A gente pula, se anima.


Enquanto o povo todo vai frevando.




O cranaval é tudo isso.


É cultura e animação...


É juventude reunida,


A alegria que embala o coração.




Já vou me dspedindo,


Vou embora pra o sertão.


A quarta-feira já vem chegando,


E com ela a dor que me invade o coração.






Luiz Felipe P. de Melo


Recife, 28 de janeiro de 2008.