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quarta-feira, 25 de março de 2009


A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galiléia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma agraciada", "plena da graça" divina?

Maria estava longe de compreender o projeto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda forma de orgulho e auto-suficiência, Maria podia abrir seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objeto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com alguma pessoa disposta a se tornar "escrava do Senhor", e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objeções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus!

Tudo quanto o anjo comunicara a Maria era grande demais para o seu entendimento, e superava sua capacidade de pô-lo em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao lhe ser prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo.



Por isso a data de hoje marca e festeja este evento que se trata de um dos mistérios mais sublimes e importantes da História do homem na Terra: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento. Episódio que está narrado em várias passagens importantes do Novo Testamento.




A festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria, Lc 1,26-38, é comemorada desde o Século V, no Oriente e a partir do Século VI, no Ocidente, nove meses antes do Natal, só é transferida quando coincide com a Semana Santa.

domingo, 15 de março de 2009

Jesus revolta-se contra a exploração e todo tipo de idolatria!


Estamos a caminhar rumo à Pascoa de Jesus... É o mesmo Senhor que nos congrega em torno de Sua Palavra, sendo que, hoje Ele se demonstra diferente aos nossos olhos. O Jesus compassivo e piedoso, dá lugar a um Jesus revoltado; a um Jesus profundamente entristecido com as práticas dos cambistas dentro do templo.


O trecho do evangelho está diretamente ligado à uma expressão retirada da 1ª leitura de hoje, retirada da Torah:


"Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim" (Dt. 20, 2s).


Ora, aqui percebemos que outros deuses são estes... O deus do ter, do prazer e do poder... A idolatria que a Lei de Deus vai de encontro, reside, pois, na retirada, ou melhor, na descentralização de Deus, colocando no âmago do nosso ser, por exemplo o dinheiro; cobiça; a ganância. Práticas como essas tão contestadas por Jesus.


Jesus ao chegar no templo, lugar de oração; a casa de Deus; a Tenda do Senhor, depara-se com uma situação explorativa... Exploração, esta que faz com que Jesus tome a atiude de chicotear a todos... Talvez, alg muito forte para um povo que já se acostumara com tais práticas, mas, para Jesus foi o correto. Expulsando aquele povo, repreende-os:


"Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!" (Jo. 2, 15b).


A exploração que existia no templo era quase que semelhante, se talvez não fosse maior, a qual existia em mercados públicos. A Casa de Deus é um lugar de oração, um lugar onde Deus quer encontrar-se com seu Povo, não um lugar de exploração, de comércio!


É idolatria a ganância, é idolatria a impiedade, é idolatria reduzir a religião a um negócio lucrativo; é idolatria pensar que se pode manipular Deus com um dízimo, com um rito ou com um volume da Bíblia!


O Senhor previne: “Eu sou o Senhor vosso Deus que não aceita suborno!” (Dt 10,17).


Por isso Jesus age de modo tão violento: "...fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas". Que significa este gesto de Jesus? É uma pregação pela ação, uma ação profética, um gesto que vale por uma pregação. Jesus está revelando a santa ira de Deus contra o seu povo...


Hoje em dia, com uma mania boboca de sermos politicamente corretos (coisa que nunca assentará num cristão), ficamos escandalizados com um Deus que se inflama de ira, com um Jesus que deveria ser mansinho, bonzinho, tolinho, aguadozinho, insossinho, e aparece, no entanto, firme, forte, radical... e irado! Esse é o Jesus de verdade: surpreendente, desconcertante! Sua ira nos previne no sentido de que não podemos brincar com Deus, não podemos fazer pouco dele! Correremos o risco de perdê-lo, de sermos rejeitados do seu coração! Em outras palavras: a conversão é uma exigência fundamental para quem deseja caminhar com Deus, sendo discípulo do Filho Jesus!


Os judeus, contrariados, não entendem tal ação.. Surpreedem-se, tomando a palavra, indagam a Jesus:


"Que sinal nos mostras para agir assim?" (Jo. 2, 18b).


Jesus, utilizando-se de uma linguagem prefigurativa e ao mesmo tempo profética, fala que destruirá o templo, mas, em três dias reerguerá... Este templo quer ser, concomitantemente, o corpo de Jesus e nós, a Igreja, os membros de Cristo... Morrendo com Cristo na cruz, somos convidados a ressurgirmos pela força do Espírito Santo.


É interessante, aqui, que nos voltemos à primeira leitura e compreendamos que, a promulgação da Lei é um momento fundamental na história da salvação, caracterizado pela intervenção explícita de Deus que exprime a parte de Israel na aliança.

O aspecto mais original do "Código da aliança" é sua premissa: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz sair do Egito, de uma casa de escravidão; não terás outros deuses diante de mim..." o Deus que se revelou libertador do povo por ele escolhido livremente como aliado e amigo, indica-lhe o caminho da liberdade.


Liberdade que não se compraz em simplesmente ir ao templo; fazer nossas ofertas... Mas cumprir a Lei do Senhor!


Frequentemente, nossa aliança com Deus é reduzida a uma apressada visita dominical a uma igreja ou a um passeio turístico a algum santuário. O tédio da monotonia cotidiana abafa muitas vezes os gestos mais entusiastas.


Muitos cristãos são capazes de atos heróicos uma vez por ano, e depois se deixam enveredar nas malhas da esclerose espiritual e do legalismo. O cristianismo não consta de práticas a cumprir em determinados momentos.


A confissão, por exemplo, não é um problema de estatística. A justiça deve ser aplicada, mesmo que por isso nos considerem "pouco espertos". Perante a "lei de Cristo", uma pequena fraude cometida contra um irmão não é julgada segundo seu valor real, mas segundo a lei do amor. As pequenas infidelidades endurecem nossa sensibilidade a tal ponto que não podemos mais ouvir os chamados concretos de Cristo; e que, imperceptível, mas inexoravelmente, na ânsia de autojustificação, forma-se em nós outra lei que não é mais a de Cristo. A lei de Cristo é algo mais do que uma rígida lei pela qual se possa dizer: "Até aqui e basta". Jesus transforma a lei em um compromisso de amor e o amor nunca diz: "Basta". Assim, a lei se toma mais comprometedora. Isso é evidente na perspectiva em que Jesus põe o juízo: Mt 25, 31-46.


Depois de Jesus, toda falta do homem é uma falta de amor. E nada é mais grave. Mas, ao mesmo tempo, tudo é pessoal. Comete-se uma falta diante de um homem e diante de Deus. Mas podemos sempre recomeçar. Contanto que estejamos em caminho. Que tenhamos fome e sede daquela justiça que é justiça de amor.


Peçamos, pois, ao Espírito Santo, Aquele que levou Jesus ao deserto, que inflame as nossas almas de amor e que ajudados pela Sua bondade, possamos todos nós chegarmos à Páscoa de Jesus renovados com o compromisso de seguir os preceitos do Senhor e não fazer a nossa pura vontade!





Luiz Felipe P. de Melo.

III Domingo da Quaresma; ano B

15/03/09

domingo, 8 de março de 2009

Mestre é bom estarmos aqui!


A liturgia que hoje celebramos é um contraste, eu diria, com o Tempo que estamos a vivenciar: a Quaresma. Toda a liturgia de um modo geral, tende a evidenciar a Glória de Deus, testemunhada em Jesus no Tabor. Primeiramente, essa glória de Jesus presenciada pelos discípulos no Tabor, é-nos apresentada como um antegozo da sua ressurreição, animando-nos e alentado-nos neste caminho quaresmal.


Durante esta caminhada que se desenvolve numa tríplice perspectiva (oração, penitência e caridade) nós podemos através de tal relato, contemplarmos a prefiguração do grande acontecimento da nossa fé: a Ressurreição, esta que não fora compreendida de imediato por aqueles que estavam com o Mestre no Monte Tabor. E aqui, eu vos chamo à atenção para "subir ao monte"... Isto é, ir ao encontro de Deus através da oração e da penitência. Subir signica ascender de uma realidade à outra! É-nos feito tal convite: sair de nós mesmos e nos encontrar-mos em Deus que se manifesta plenamente em Jesus Cristo, Nosso Senhor. E, em se falar de manifestação, é de se perceber que Deus manifesta-se aos olhos dos discípulos e o sinal é a nuvem, símbolo do Espírito Santo. Ocorre, pois, o que chamamos de 'teofania', manifestção divina... É Deus mesmo, que se manifesta!


Já as leituras anteriores, a primeira quer nos chamar à atenção para o cumprimento da lei. A obediência cega à Lei, que exprime a vontade de Javé, é premiada, conforme o modelo de Abraão. Esta concepção é prenhe de violência, particularmente quando a premiação é a conquista das cidades dos inimigos e a supremacia sobre todas as nações da terra. Porém, sob outro ponto de vista, pode-se ver na transfiguração a revelação da condição divina de Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, na simplicidade de seu convívio entre nós. Os discípulos devem perceber em Jesus a nova condição humana glorificada pela encarnação do Filho de Deus. Não se trata de esperar um messias poderoso, mas, sim, de reencontrar a dignidade e a grandeza da condição humana, em tudo que ela tem de justo, bom, verdadeiro e belo. Ao entrarmos em comunhão de amor com Jesus e com o próximo, Deus é glorificado e nos é comunicada sua vida divina e eterna.


A segunda leitura não muito distantamente, através de uma ótica messiânica-escatológica, a transfiguração seria o prenúncio da ressurreição, como coroação dos sofrimentos de Jesus em sua Paixão. Jesus é rei e o seu trono é a cruz; Cruz esta, que rememora o trono da Glória de Deus.


Tal como Jesus, durante essa Quaresma, devemos experimentar a transfiguração... É preciso ser transfigurados pelo Espírito para gozarmos de uma nova vida, onde o ápice dar-se-á na Páscoa de Jesus. É lá que nós poderemos gozar da total transfiguração, nos tornando novas criaturas.


Por fim, isso nos revela a dimensão do amor de Deus, da sua paixão pela humanidade, do seu compromisso salvífico em nosso favor! Ele pode nos pedir tudo, caríssimos, e nós deveríamos dar-lhe tudo, porque, ainda que não compreendamos, ele deseja somente o nosso bem, a nossa vida, a nossa salvação. Somos preciosos a seus olhos! Escutai o Apóstolo: "Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus que não poupou seu próprio filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo juntamente com ele? Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos? Quem condenará? Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está à direita de Deus, intercedendo por nós?” Eis, pois, amados em Cristo, a dimensão e a profundidade, a largura e a altura do amor de Deus por nós! Deixemo-nos, portanto, tocar no nosso coração; convertamo-nos! Abramo-nos para o Senhor! Arrependamo-nos de nossas indiferenças, de nossa frieza, de nosso fechamento! Tenhamos vergonha de tanta incredulidade e desconfiança de Deus, simplesmente porque não entendemos seu modo de agir! Que Santo Abraão, nosso pai na fé, e a Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe na fé, intercedam por nós para uma verdadeira conversão quaresmal. E que, realizando com generosidade a amor, as práticas quaresmais, cheguemos às alegrias da Páscoa e contemplemos nos santos mistérios da Liturgia, a face do Cristo glorificado.

domingo, 1 de março de 2009

Eis o tempo de Conversão...


Os dias passam, os meses também... O tempo passa! É preciso que elevemos, pois, não somente os nossos olhos, mas, sobretudo, o nsso coração para Aquele que não passa; Aquele que é o princípio e o fim de nossa existência: Jesus, o Cristo!


A vigília de um grande acontecimento é marcada por um tempo de reflexão, como que um recolhimento antes de penetrar na nova vida. Todas as interrogações e hesitações desaparecerão depois na viagem para novos horizontes.


A Quaresma nos convida, como indivíduos e comunidades, a crer no evangelho, isto é, a libertar-nos de todo ídolo e mitologia; a confiar plenamente no Cristo e em sua Palavra; a engajar-nos profundamente no caminho por Ele indicado, passando pelo sacrifício e a cruz, visando a atingir a libertação da Páscoa. A conversão a Cristo deve exprimir-se em todos os campos e todas as relações, tanto em pequena escala, entre homem e homem, como em grande escala, entre as instituições que governam a sociedade, entre todas as instâncias sociais e eclesiásticas.


Estamos caminhando rumo à Festa das festas; a Festa por excelência, a Páscoa de Jesus. Hoje, a liturgia nos convida a refletirmos um pouco mais sobre a nossa vivência, a nossa postura ante ao mundo atual, dilacerado por guerras, chagado e ferido pelo pecado.


A primeira leitura nos fala sobre a Aliança que o Senhor fizera com seu Povo, assim, podemos perceber, que como reza a Antífona Inicial "Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias" (Sl 90, 15-16). É o Senhor que se compadece dos seus, vem Ele próprio ao encontro desse povo sofredor, fazendo suas, as dores daqueles que O buscaram. Ele, o Deus de Jacó, Isaac, de Abraão, de Noé, Ele o Deus Conosco, Aquele que é, quis estabelecer um sinal, uma Aliança - que concretizou-se plenamente na paixão, morte e ressurreição de Jesus - com o Seu Povo, fazendo dele, um Povo Santo! Com o dilúvio muitos morreram, mas, aqueles que tinham Deus como o centro de suas vidas sobreviveram. Podemos dizer, por analogia, que a Igreja é hoje essa "Arca", ela - a Igreja - é Sinal de Deus num mundo cercado de injustiças, de ódio, de guerras. É a Igreja a "Nova Arca", Aquela que tem em-si o Povo de Deus...É Ela quem acolhe esses tantos - que também somos nós - tão necessitados, famintos e sedentos por Deus. Deus elegeu uma nação Santa e paradoxalmente pecadora. Um povo carente... Carente por Deus!


É de se perceber que toda a liturgia desemboca, por assim dizer, num mesmo "rio": Conversão! A expressão "Conversão" resumiria de modo bastante perspícuo toda a liturgia de hoje. Também a nós o anúncio do evangelho de hoje é feito em termos que levam a pensar. É global, não analítico. "O reino de Deus está presente": portanto, mudai de vida, disponde-vos a fazer o que o evangelho (isto é, a realidade de Cristo, filho de Deus) vos propõe.

Nessas afirmações, Cristo não admite compromissos ou ambigüidades. Só há um caminho para o homem: converter-se. Para um semita, a conversão implica a imagem de um homem que se afasta do caminho habitual e se volta para outra direção. Nesse esforço de libertação há perigo de ilusões, enquanto quem aspira à conversão pode perder-se em exterioridades e práticas. A conversão é uma atitude que envolve "todo" o homem, não só como renúncia ao pecado, mas principalmente como nova orientação para o futuro. Implica freqüentemente uma crise de fé que termina na mais profunda experiência de Deus.


Por conversão, também não podemos entender algo do dia para a noite, pois, se caso, assim, pensarmos, cairemos num discurso vazio e "proselítico". Mas, ao pensar na conversão, devemos pensar em um processo longo e árduo, contínuo, eu diria.


Cada um de nós estará pronto, nossa comunidade estará pronta a crer no evangelho? a cortar o que ficou para trás, a levar a sério a aliança com Deus? a viver segundo a "reta consciência , a deixar-se conduzir pelo Espírito aonde ele o quiser e a percorrer o caminho de Cristo rumo à sua páscoa, com plena disponibilidade a todas as exigências de uma autêntica "conversão"?

Este nosso tempo é um "dilúvio": salvam-se os que, como Noé, não estão satisfeitos com o bem-estar alcançado por sua civilização, e crêem na palavra de Outro, mesmo a custa de enfrentar o ridículo de construir uma arca (1ª leitura). Salvam-se os que, como Cristo, deixam tudo para, com ele, construir a humanidade nova (2ª leitura).


Oxalá, possamos nós, durante esse percurso quaresmal, fazer a experiência de nos libertar de tudo que nos impede de ser cristãos verdadeiros e autênticos. E, tal como Jesus, ter a coragem de anunciar a 'Boa Nova' por entre os povos!




LUIZ FELIPE PEREIRA DE MELO

1º DOMINGO DA QUARESMA/ ANO B/ 1º DE MARÇO DE 2009.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Refletere!

O Evangelho de hoje, nos convida mais intensamente a refletirmos sobre a nossa caminhada de vida...
"Misericórdia ó Senhor, pois pecamos" (Salmo 50, 1). Percebam como a Igreja está hoje, a melodia do Salmo é uma melodia triste. O clima da Igreja é este, entramos num clima de reflexão, não é de alegria, de gritos, é de tristeza.
Deus é amor, é bom, mas, nossas atitudes não são boas diante d'Ele, e a Igreja está dizendo a este Deus que é bom: "Tende piedade". Nós não vamos chegar pulando diante de Deus pedindo perdão, não é tempo dos católicos ficarem dançando com euforia, são quarenta dias de "tristeza". É tempo dos cristãos estarem revestidos de cinzas pedindo a Deus perdão.
É chegado o oprtuno momento de silenciar não somente os nossos lábios, porém, o coração também. O Senhor nos convida a por em prática todos os preceitos divinos fora do alcance da vista dos outros... Convida-nos a ser silenciosos, a nos voltar inteiramente a Deus e ao Seu Projeto de Salvação.
A Igreja hoje, inicia um período que rememora os quarenta anos que Moisés caminhou com o Povo de Deus pelo deserto, assim, também nós somos convidados a caminhar, lado a lado, com o Deus da Esperança. É também rememorar os quarenta dias de penitência que Cristo pasou após o Batismo.
“Agora, diz o Senhor: "voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos” (Joel 2, 12).
Por que lágrimas? Porque o povo vivia longe de Deus. O pecador vai diante de Deus chorando, quarenta dias de choro, lágrimas.
“Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembléia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (Joel 2, 15-16). Somos convidados à rezar, Deus está pedindo! É preciso olhar como estamos diante de Deus... É preciso fazer penitência.
Eis o tempo propício para nos voltarmos para nós mesmos; para as nossas práticas cotidianas...
Desse modo, o texto evangélico de hoje, apresenta-nos de modo claro as três práticas para esse tempo tão oportuno: esmolas, jejum e oração. Aqui, se encontra, os três alicerces básicos para a nossa caminhada quaresmal!
Nos esforcemos, pois, para por em prática os Conselhos Evangélicos e sobretudo, refletir um pouco mais sobre as injustiças cometidas ainda em pleno século XXI.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

JESUS CURA E LIBERTA QUEM PADECE DE ENFERMIDADES...



No dia em celebramos e rememoramos a vitória de Cristo sobre a morte, também nós somos convidados a viver uma vida nova em Cristo Jesus; a morrer para o pecado e ressurgir em Jesus, o justo. É de se perceber que toda a liturgia da semana que passou - desde o último dia 08 do corrente mês - aponta-nos para a capacidade de cura que Jesus possui..

Tudo isso faz com que reflitamos sobre quem é Jesus em nossas vidas. O que queremos que Jesus nos faça? Desse modo, percebemos, por vezes, que a humanidade tende a fazer com que Ele seja somente mais um ameno para as nossa fragilidades. Jesus, sendo o Filho de Deus, inaugura, por assim dizer, um novo sentimento: a experiência da compaixão... Isto é, convida-nos a nos colocar no lugar do outro que padece, que sofre... Assim o fora com todos aqueles que O procuraram com fé. Jesus curou, cura e irá curar muitos ainda... Basta, tão somente, acreditar!

Todas as leituras desse domingo enfatizam com grande propriedade quem, na verdade e, como eram tratados os leprosos. Desde a Antiga Lei, com Moisés, havia uma forma específica e bastante discriminatória para com aqueles que padeciam de tal enfermidade... Os leprosos eram excluídos por completo da convivência social; eram reprimidos e tidos, sobretudo, como impuros, aos olhos de toda a sociedade judaica - e tudo isso era ratificado pelos sacerdotes. (cf. Lv. 13, 44) Sendo impuros, os mesmo deveriam se manter longe das cidades, diz-se também, que muitos andavam com uma espécie de chocalho para avisar que eles estavam por perto... Puro e arbitrário pré-conceito!

Como nos fala o evangelista são Marcos, aproximou-se de Jesus um destes e, prostrando-se, disse que sabia que Jesus poderia curá-lo. Nos narra, ainda que, Jesus prontamente e cheio de compaixão estendeu a mão sobre aquele homem e disse-lhe: "Eu quero: fique curado" (Mc.1, 41b). De imediato toda a lepra fora sanada e o homem que padecia fora curado. Jesus, ordenando-lhe com firmeza para que o mesmo nada contasse a ninguém e enviou-lhe ao sacerdote e, como um bom judeu pediu-lhe para que fizesse o sacrifício necessário... Aqui, podemos fazer um paralelismo com o Sacramento da Reconciliação, aqueles que padecem por conta do pecado, vão ao encontro dos sacerdotes (representantes de Cristo), sendo absolvidos (sanados de todas as patologias espirituais) e enviados a fazerem penitência sem nada a dizer a ninguém. Mas, diferentemente fez aquele homem... Por toda a parte saiu divulgando os feitos do Mestre e, sendo assim, depois de todos saberem que Jesus tinha o poder de curar tamanhas enfermidades, não mais O deixaram.

Ante toda essa narrativa podemos enfocar alguns pontos bastante significativos:

- Tanto o doente quanto Jesus foram infratores da Lei, pois, o doente ousou a se comunicar com Ele; Jesus, porque o tocou. Aquele ao invés de gritar como pedia a Lei, aproximou-se de Jesus crente de seu poder de cura e consequentemente de libertação. Jesus não o repreendeu, muito pelo contrário, como um judeu, demonstrara-se rebelde à tal lei, que excluía e fomentava na sociedade um desejo de falso-puritanismo...

- Jesus fora um transgressor, tal como o outro que padecia com a lepra... Aqui chamo à atenção para a nossa realidade, tantos e tantos ainda hoje, sofrem por causa do preconceito e da descriminação. Desse modo, poderíamos nos questionar sobre quais são as lepras que atingem a sociedade atual? E mais, quem são os mais excluídos do nosso tempo, pois, isso não fora apanágio para a época de Jesus. Atualmente muitos ainda são julgados pelas suas fragilidades humanas, quer seja por um deficiência - aos olhos humanos, pois, aos Olhos de Deus, todos somos iguais, quer seja por quaisquer patologias. Muitos talvez pela falta de conhecimento, mas, tantos por um puro preconceito que exclui e perjorativiza quem não faz parte de um ideal de saúde ainda tão vigente no mundo atual.

- Jesus fez-Se a cura para aquele que O procurou com fé... Todavia, convido-os a lançarem a vista sobre a humanidade atual. Muitos fazem de Jesus um curandeiro, dentro de uma sociedade altamente pragmatista, onde o que vale, o que importa é o instantâneo, o prático, o fácil, o rápido... Não querendo ofender aos nossos irmãos protestantes e, nem muito menos querendo ser anti-ecumênico, porém exortando-vos a observarem a realidade atual... Não é preciso muito para perceber que tantos e tantas fazem desse Jesus que se compadece das fragilidades nossas, mais um refúgio, mais um subsídio, mais um e só! Dentro de uma mentalidade própria da 'teologia emergencialista', fazem de Jesus uma espécie de Pronto de Socorro, indo ao Seu encontro somente quando padecem, quando estão a sofrer devido alguma doença ou enfermidade. Fazem do Filho de Deus um supermercado, vão a Ele quando dele necessitam e só... Buscam a Jesus quando sentem falta de algo, numa relação hedonista e ególatra. Isto é, vão até Jesus somente para satisfazerem seus próprios egos, as suas necessidades!

Repensemos, pois, a nossa atitude para com Deus, será que estamos fazendo Dele mais um ameno para os nossos lamentos? Ou, Ele verdadeiramente é e está sendo o centro de nossa existência? Repensemos a nossa forma de ser e agir... Para que, indo ao encontro Daquele que se compadece de nossas fragilidades, possamos com fé ser tocados pelo Seu infinito amor e misericórdia, porque, a Páscoa de Jesus verdadeiramente manifesta-se na vida daqueles e daquelas que possuem compaixão para com aqueles que sofrem e, sobretudo, empenham-se em devolver-lhes a saúde.

Que Jesus possa tocar em cada uma de nossas feridas, tornando-as dons gratuitos do Amor de Deus!!



Luiz Felipe P. de Melo.
Reflexão do 6º Domingo do Tempo Comum
15/02/2009.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Jesus cura as enfermidades daqueles que têm fé!


Estamos diante de uma realidade não muita atípica aos dias atuais...

Primeiro, Jesus é procurado para curar, sanar uma patologia visível... Tantos, ainda hoje, O procuram para tão somente sanar as suas enfermidades. Um segundo ponto que nos chama à atenção é o fato de que Jesus estava em comunidade celebrando; isso faz com que percebamos que, Jesus sendo um judeu, é fiel aos preceitos daquela religião. Logo depois, a narrativa nos fala que ao chegar à casa de Pedro, falam a Jesus que existia uma pessoa acamada, imediatamente Jesus vai ao seu encontro, dentro de uma experiência de compaixão... Do latim, “co-passion”, quer dizer, colocar-se no lugar do outro que sofre; sentir suas dores. Segurando em suas mãos, restitui-lhe a saúde, dá-lhe novo ânimo.

Convém lembrar que depois de curada, a sogra de Pedro reergueu-se, pôs-se de pé... Isso significa, prontificou-se a servir e o fez! O fato é que, aquilo que o Senhor fizera àquela pobre que padecia no leito das enfermidades, espalhou-se por toda a região, eis que habitantes de várias localidades acorriam ao encontro daquele que devolveu a saúde à sogra de Pedro, amontoando-se defronte àquela residência. De repente todas as pessoas foram se apresentar a Jesus, mostra-lhe, pois, as suas enfermidades, talvez, então suplicar-lhe perdão... Diz o texto que Jesus fez muitas curas, mas, não fala-nos que Ele curou a todos. Esse fato faz-nos refletir sobre uma questão muito importante na nossa vida cristã: a fé. A fé é uma virtude de Deus, um dom que o Senhor nos concede; esta é necessária à nossa salvação. Jesus, sendo um com Deus e o Espírito Santo, poderia ter curados a todos, mas, nos relata o evangelista São Marcos que Ele curou a muitos, pois com certeza, aqueles que não foram curados faltavam-lhes fé. Tal como a sogra de Pedro que ao tomar nas mãos de Jesus prontamente fora atendida, curada e de imediato pôs-se a servir, também nós somos chamados a confiantemente segurar nas mãos de Jesus, deixando que a Sua Santa Vontade seja realizada em nossa vida.

Nosso Senhor expulsou em nome de Deus muitos demônios. É interessante, também, procurarmos entender que demônio aqui, dentro de um contexto judaico, seria toda aflição causada à alma e que se refletia no corpo. Jesus repreendia os demônios para que os mesmos não O apontassem como sendo o Messias, o Filho de Deus. Mas, toda essa experiência libertadora que provém de Jesus advém de uma outra: a experiência da oração, do comunicar-se com Deus. Comunicando-se com o Pai, o Filho realizaria no plano da história a Vontade Santa do Criador. Jesus fora procurado ainda por muitos, todavia, não se deteve a ficar somente naquele território, preferiu partir e dar continuidade ao seu Projeto em terras mais longíquoas, onde Ele ainda não tinha pregado.

Ante toda essa narrativa, somos convidados a também nós, nos colocarmos nas mãos de Jesus... Apresentando-nos diante do Senhor, com as nossas fraquezas, com as nossas limitações, com as nossas fragilidades humanas e diárias... Apresentar, pois, diante do Senhor tudo aquilo que ainda nos impede de nos prontificarmos com a Causa de Deus. Mediante toda a nossa caminhada existencial nos deparamos muitas vezes com situações adversas que nos tentam tirar do segmento do Crucificado, mas, nós não fomos criados para o sofrimento, nem muito menos Jesus deu a sua vida para que continuássemos presos à uma vida antiga e sem sentido, porém, Jesus dou-se por todos os nossos pecados... Em Cristo somos muito mais que vencedores!

As enfermidades e os sofrimentos que acompanham nossa vida geram um estado de temerosa insegurança. Toda a nossa caminhada de vida se dá na busca incessante de Deus... Feliz é aquele que reconhece que todas as curas advêm do Senhor! Muitos encarnam a fraqueza e a fragilidade humana, sujeitas à eventualidade do inesperado e do imprevisível. Esta condição humana contrasta com o desejo de absoluto, de estabilidade e de segurança que pervade todo homem, e torna a existência do homem pouco desejável. O homem apresentado pela Bíblia também anda à procura da causa desta situação. Num mundo onde a realidade é continuamente referida a Deus, a doença e as desgraças não são exceção: estas são vistas como um golpe de Deus que fere o homem. Por um movimento espontâneo, o senso religioso do homem estabelece uma ligação entre doença e pecado, mais no plano coletivo que no pessoal.

Jesus Cristo hoje é-nos apresentado como Aquele que curou-nos e libertou-nos de todas as patologias do corpo e da alma. Oxalá que nós não O busquemos somente quando Dele precisarmos, todavia, tal como o salmista, louvemo-Lo e exautemo-Lo, ‘porque Ele é bom e eterna é a sua misericórdia’.



Reflexão referente à liturgia do 5º domingo do Tempo Comum, ano B.

Luiz Felipe Pereira de Melo.