segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Infante

















Ai! Que saudade da minha inocência primeira
Que a delonga dos anos não traz mais!
Saudades do tempo de criança quando brincava
De ser adulto sem compromisso algum!
Hoje também brinco.
Brinco de ser criança, descompromissando-me!
Brincava outrora de ser adulto,
Fugindo da candura
Que me era peculiar.
Brincando, eu brinquei de ser gente.
Hoje, brincando,
Na verdade eu só queria ser inocente.
Talvez seja isso,
O que venha a fazer:
Fugindo, fugi de mim mesmo.
Agora, tarde demais,
Encontrei-me sem querer.
Desfiguradamente,
Nem sei mais quem sou.
Apenas sei
Que um dia eu não amei
Quem antes me amou.


Luiz Felipe P. de Melo.
Segunda-feira/ 29 de agosto de 2011.

domingo, 28 de agosto de 2011

Sem ti, vida minha, vejo-me cativo!




Em mais uma noite escura e fria,
Lancei-me sobre as ruas da cidade
Em busca, quem sabe,
Daquele por quem meu peito palpita.
Quiçá, em busca daquilo que já havia perdido
Há certo tempo, cujo nome
Está inscrito nas paredes do passado.
Parece-me, pois, que outrora se intitulava
De Felicidade.
Mas, a final, ela existe?
Creio que sim!
Anda por aí, perdida e loquaz.
Convence-se fácil quem pensa
Que a retém.
Porém, se entristece com maior rapidez
Quem percebe que a mesma é apenas um fluído.
Alegro-me, pois, em intuir que
Outrora já a conheci.
Animo-me também, porque acredito
Ser mais fácil agora encontrá-la.
É por isso mesmo
Que agora parto...
Parto por estas ruas tão torpes,
Tão fugazes e entediantes,
A procurar quem antes eu havia encontrado,
E que por um descuido, ela de mim se perdeu.
Eis, pois, minha agonia latente,
Minha perturbação-existente!
Oh, cruel vida! Oh, crueldade de vivente!

Luiz Felipe P. de Melo.
Domingo/ Recife, 28 de agosto de 2011.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Rouquidão!


Minha voz se esvaí e, com o tempo, tudo se torna fúnebre!

Parece, de início, algo negativistas, pessimista,

Mas, por outro lado, pode ser apenas um surto psicótico!

Algo talvez ainda inexplicável,

Que me vem pelo gosto amargo das lembranças que me restam.

Quiçá eu esteja fatigado desta vil vivência,

Destas maledicências inoportunas de outrem.

Deste “povinho” que nada tem a oferecer,

A não ser, críticas sem nenhum embasamento.

Ahr, cansei dessa monotonia!

Dessa incansável busca de mim!

Cansei de hipertrofia, dessa paralisia,

De uma hipocrisia maldita e sem fim!

Sem muito a dizer, por hoje me despeço

E logo que tropeço,

Cai no reverso de um outono em mim.

Luiz Felipe Pereira de Melo.

Sexta-feira/ 26 de agosto de 2011.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Retornando...


Meio que sem inspiração, descompassadamente, eis que me lanço sobre esta fugaz folha em branco, para narrar a desdita de um pobre sonhador. Para retratar aqui as imagens que minh’alma insiste em querer contemplar, mesmo que ansiosa, mesmo que depressiva, ela detém “em-si” toda a beleza daquele ebúrneo palácio encantador.

Não sei ao certo como é que vim novamente aqui parar, nem tampouco através de que, apenas sei que os meus pés empoeirados, guardam os resquícios daquela terra bendita e juntamente com ela todos aqueles sonhos.

No momento sei que não devo me deixar seduzir por nada e nem ninguém. Não posso manter os pés fixos à uma dada estrutura, mas, pelo contrário, é necessário reconhecer que eu fui feito para alçar grandes vôos. Assim sendo, preso a algo, isto me impede de voar!

Por isso, o meu desejo para o hoje é quem sabe o de possuir asas! Sim, um belo par de asas! Capaz de me transportar para um mundo ainda incognoscível, distante desta rotina que me cerca e me aflige, capaz de me retirar desse abismo inoportuno e me lançar ao meu nada existencial, impulsionando-me a transformar os sinais de morte em vestígios de eternidade.

Que toda a minha vida seja isso: sinal de eternidade, desejo de eternidade! Que tudo que eu venha a fazer, expresse a eternidade, seja índice de eternidade! E o mais... o mais, como o nome já indica, virá por acréscimo e disto eu tenho plena convicção!

Luiz Felipe P. de Melo.

Recife-PE/Quinta-feira, 25 de agosto de 2011 A.D.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

REFLEXÃO DE UM FILÓSOFO RECÉM-FORMADO


Se hoje mantenho os olhos fixos no “sem-rumo”; num futuro distante e quiçá distorcido, é porque durante um bom tempo, os mantive presos a algo que me roubou de mim e lançou-me frente ao meu nada, ao meu angustiante vazio e que me fez “desabrochar”, como um boto que sai de uma semente e que por sua vez, sai da terra.

Acredito que o amanhã é incógnita! O hoje é apenas o “instante”, o momento. O ontem foi e não-é. Do que passou, restam apenas as lembranças, amargas talvez! Lembranças de momentos que não voltam mais... Por mais que venha a saudade, por mais que surja a ânsia de re-viver, sabemos que é impossível.

Hoje caminho... sem rumo, quem sabe?! Experimentado a estranha sensação de que marco nas pessoas, essencialmente, aquilo o que elas desejam. Na verdade, penso que todas as relações humanas são pautadas na triste percepção do outro. Quando lançamos nossas vistas sobre alguém, sempre “projetamos” características nossas na outra pessoa. E esta é uma de nossas primeiras dificuldades: distinguir aquilo que no outro é nosso e aquilo que na verdade é dele.

Bem, o caminho mais perto de eu chegar até aqui, foi sem dúvidas as invariáveis sensações de perda e insucesso! Alguém um dia disse-me: “- sofrer faz bem!” E não é que hoje concordo! Entendo perfeitamente... o sofrimento atina justamente para necessidade de soerguermos de um estágio melancólico para um estágio de libertação. Libertação, por vezes, de uma conduta depressiva e depreciativa de nós mesmos. Às vezes passamos muito tempo querendo viver o tempo do outro e nos esquecemos de viver o nosso tempo. Que mania a nossa de querer pensar que o outro poderá nos completar! Que mania a nossa de pensar que o outro poderá reverter a situação e irá nos impelir à felicidade! Que mania triste a nossa em pensar que a solução dos nossos problemas está no outro! Não! Eu repito: não! Percebam, são os nossos problemas, isto é, é algo intrínseco e sendo assim, a “solução”, a “cura” para tais enfermidades encontra-se arraigado em nós mesmos.

Pensar que há um ano, nem imaginava que aqui iria chegar. Mas, a ação veemente e oportuna do tempo, trouxe-me aqui, numa noite, fria e quiçá tortuosa. Mas, o porquê de tudo isso? Para dizer que sempre que me depreendo sobre uma folha de papel para tecer alguma preleção, a mesma emana de minha alma e é, ao mesmo tempo, tortuosa a experiência que me faz exprimir no nada de um objeto o meu “tudo” momentâneo. Sem tantos conceitos e nem tampouco regras ou citações, busco, ao meu modo, refletir um pouco mais sobre a minha difícil dinâmica de existente e faltando-me apenas um mês e treze dias para a grande guinada em minha vida... apenas sonho, bendigo e elevo uma prece de louvor aos Céus: meu eterno obrigado! Se aqui cheguei, é porque me foi confiado muito mais...

Luiz Felipe P. de Melo.

Madrugada de 18 de dezembro de 2010.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Delírios noturnos

Nem tudo o que desejo

É compreendido.

Nem todos os meus beijos

São correspondidos.

Nem todos os meus sonhos

São cumpridos.

Nem todas as vontades

São vividas.

Nem todos os lugares

São esquecidos.

Nem todos os anseios

São concedidos.

Nem todos os amores

São pervertidos.

Nem todos os meninos

São (censurado).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ao teu nome




Amado de minh’alma enganada,

Desejo utópico que se estende ao longo da estrada.

Enfim és meu paraíso, és tudo o que eu preciso.

Nada sem ti tem sentido,

Ilusão passageira que meche comigo.

Lateja meu coração apertado

De te ver face a face

Ou mesmo de beijar-te, anda meu coração reprimido.

Recife, 06 de novembro de 2010.

Luiz Felipe P. de Melo.