domingo, 9 de maio de 2010

Solidão; Kelly Patrícia





Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor.
Junto ao vosso coração passo horas agradáveis
E junto dele minha alma encontra descanso
Quando o coração está repleto de Vós e cheio de amor,
A alma arde com fogo puro,
Então no maior abandono a alma não sente solidão,
Porque descansa em vosso seio.
Meus momentos prediletos solidão, solidão
Mas sempre convosco, Jesus, Senhor.
Ó solidão momentos da mais elevada companhia
Embora abandonada por todas as criaturas
Afundo-me toda no oceano de vossa divindade,
E Vós ouvis ternamente as minhas confidências

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eu espero; Pe. Fábio de Melo


Se você soubesse o quanto é intenso no meu peito
O amor que eu tenho por você e o que guardo aqui dentro
Se você voltasse sempre, se houvesse intimidade
Certamente deixaria de implorar por outro amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, que eu preciso lhe dizer

Que eu espero por você
E não me canso de esperar
A porta aberta vou deixar
Se quiser pode voltar
E eu espero por você
E não me canso de esperar
Meu coração se alegrará
Quando você se aproximar

Se você se aproximasse do meu peito transpassado
Se aos pés da cruz ficasse, saberia o que é o amor
Se o amor que me oferece é tecido de palavras
Eu lhe estendo os meus braços, mostro em gesto o que é o amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sem coração; Pe. Jonas Abib

Eu ando pelas ruas sem meu coração
As luzes desta noite não me prendem mais
Deixei-o no sacrário após a comunhão
E trago no meu peito a mais profunda paz

Ó meu Jesus, que posso mais buscar
Depois de abandonar meu ser em tuas mãos
A tua luz eu quero irradiar
De dentro do meu lar ao lar dos meus irmãos

Você não tenha medo de viver assim
Trocando a vida inteira por um grande amor
Pois tudo aqui na vida sempre tem um fim
Só é perene a vida que vem do Senhor

Saudade: o olhar da alma que se volta para o que se-foi...

Na verdade, não sei bem do que sinto saudades:
isto é um problema!

Diante de tudo o que já vivi e experimentei,
sinto falta da segurança do ventre materno,
da estabilidade do recôncavo uterino.

Sinto falta do conforto de um coração que me amou,
bem antes mesmo de meu nascimento.
Sinto falta de tudo o que eu não fui capaz de realizar.

Sinto falta neste momento dos teus beijos,
do calor de tuas mãos sobre as minhas.
De teu suave toque...

Sinto falta, eu acho...
das desventuras e aventuras...
Do risco e do medo!

Sinto falta de tudo o que já passou!

Olhando pra trás,
temo e, como o nome deste Blog, tomo consciência:

"Não dá mais pra voltar"!


Coragem!

Avante!

Arrisco-me, lanço-me nas águas deste mar...
e sou convidado a navegar...


Oh, água!
Oh, vida!

Lanço-me a vós,
querendo me perder de mim mesmo
e buscando me encontrar ao mesmo tempo!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Exercício do Existente!


Sofrer o sofrimento inevitável da vida, da morte...
Sentir o mistério do existir, do ser-estar-no-mundo...
Sofrer a angústia de viver ante às incertezas da vida...
Sofrer por querer além do que se pode...
Sofrer por ter muito menos do que necessita...
Penar na dura temporalidade, fictícia temporalidade...
Sentir no deprimível solo da existência a inevitável sensação de que tudo passa e, que o meu "eu" também passará...
Sofrer as demoras do tempo presente em função de uma "futuralidade"...
Sentir os calafrios em nossa espinha dorsal a cada vez que tomamos um impulso vital...
Nos debruçar sobre nós mesmos, na inexorável tentativa de auto-definição, esbarrando-se sempre num limite extenso e intenso!


quinta-feira, 29 de abril de 2010

Canção dos Imperfeitos!

E se for pra semear a esperança num jardim

E se for pra desculpar uma criança eu digo sim

E se for pra perdoar não tenho escolha

Também sou pecador, também preciso de perdão



Não sou santo e não sou anjo e nem demônio eu sou só eu

Imperfeito, insatisfeito, mas feliz, assim sou eu

Eu sou contradição, eu sou imperfeição, só deus é coerente

Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei

Já chorei. já fiz chorar, já me excedi, já magoei

Eu tenho coração mas sou contradição só deus acerta sempre



Por isso eu canto esta canção, canção de amor arrependido

Ao deus que é pai, ao deus que é paz, ao deus que é luz,

Ao deus que é vida



E quando a gente cai deus age como pai

Perdoa, perdoa

E torna a perdoar e ensina o como amar

Eu sou contradição mas deus, ele é perdão.

(Pe. Zezinho)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A dimensão da angústia e da existência dada segundo o pensamento existencialista de Sören Kierkegaard (1813 – 1855)




"Fiz-me abandonar
No mundo
Provando desertos

Em direções de sóis
Em crepúsculos
E
serenidade de luz.

Escavei meu rosto
No chão cotidiano
Até encontrar a caveira
De minhas verdades
E escrever no céu
Um grito liberdade"

(Hamlet).


O filosofo dinamarquês Sören Kierkegaard foi um sujeito atormentado e angustiado devido aos desgostos em sua existência. Caçula de uma família de sete filhos, ele nasceu em Copenhague. A influência do pai é decisiva quanto da melancolia do filósofo. Viúvo, ao contrair segundas núpcias, o pai de Kierkegaard vive esse segundo casamento como se fosse uma traição à sua falecida esposa. A educação daquele filho mais novo será marcada por esse sentimento de culpa, marca da educação cristã que recebeu de sua família, “assimilando um cristianismo sem comprometimento e estigmatizado pelo pecado[1]”.

Fazer a pergunta fundamental: o que devo fazer? É para o filósofo o próprio método e o momento existencial no qual o ser humano procura responder à própria existência. Parece-nos, pois, que Kierkegaard é o primeiro a se debruçar sobre a temática que circunda a existência do homem, distinguindo-a de sua essência e, sobretudo, colocando para nós, através do episódio bíblico, o paradoxo que se estabelece entre a fé e a moral[2]. Diz-se que, enquanto Karl Marx operou uma ‘reviravolta’, Kierkegaard questiona esse indivíduo frente ao sistema[3]. Ou seja, para ele, o indivíduo deveria “apresentar-se” para não se perder daquele (sistema); ora, o sistema não mais poderia explicar o indivíduo. Nesse sentido, o indivíduo não poderia ser conceitualizado. Kierkegaard utilizara-se do exemplo de Abraão – o Pai da Fé – o qual escolheu realizar a vontade de Deus, a tal ponto de sacrificar a vida de seu próprio filho e, ressalta Kierkegaard, mesmo contra o sistema[4]. Como bem sabemos, ele formulara uma concepção existencial, por assim dizer, a qual compreenderia a três fases distintas, as quais “desembocariam”, nesse sentido, no “mar da paixão”. Onde a fase ética, assemelhar-se-ia a uma ‘farsa’, a um “embuste”, pois as regras “encobririam” o ato de liberdade e, nesse sentido, através da dimensão estética, o indivíduo passaria a ‘atuar’ num contexto de comédia, ao se voltar para o prazer e para puro entretenimento. Já na dimensão religiosa, esta “trama” passa a ter características de tragédia, porque a sua “força propulsora” é a paixão[5]. A grande guinada, por assim dizer, que Kierkegaard dá, é a forma de como ‘traduzir’ essa fé de Abraão; ele enfatiza que é esse Abraão, homem de fé – a viver o paradoxo – circunscrito em um clima de angústia e não desespero. A existência, desse modo, seria marcada por uma angústia constante entre “sim” e o “não”. Ora, o indivíduo ao se decidir, rompe com um dos lados, pois como o próprio nome nos diz, “de-cindir”. Essa decisão é a paixão, é esta quem afirma o homem. Sendo assim, a existência se dá num “salto”, no próprio arriscar-se a si mesmo – na fé[6]. O conceito, tal como o “sistema”, toma a existência passada, de forma que, nenhum destes, comporta em-si a existência de fato. Como o homem está constantemente optando, a vida, desse modo, não mais pode ser entendida como um conceito fechado, mas, o próprio fluir. Remetendo-nos, pois, ao conceito grego de “alethéia”; ‘aquilo que se apresenta, mas sempre reserva algo para si’. A partir dessas relações, nos encontramos frente à problemática relação do ‘infinito’ e do ‘finito’, aonde o “eu” vem como um terceiro termo. Eis, então, a chave de todo o pensamento existencial de Kierkegaard: a escolha. Fora ele quem brilhantemente colocara o conceito de escolha enquanto autenticidade da existência humana. Ou seja, as escolhas comprometem a própria vida – isto não fora, pelo menos no plano filosófico, nada inovador, pois, Agostinho percebera o homem, só é homem enquanto um ser de vontade e de escolhas. O ser humano mantém-se entre a dúvida e a fé, onde só se passa esse estágio num “salto”, o salto existencial de escolher e acolher algo como sendo essencial e verdadeiro à vida. Esta é a resposta que a fé nos oferece. A existência é e permanecerá sempre falta, uma “ascensão inacabada e inabalável[7]. Não cessamos de aspirar a uma plenitude enquanto vagamos no meio de uma incerteza infinita; é com a própria incerteza que nos demos contentar como verdade. O sentido autêntico da existência é viver-para-a-morte, pois o homem é um ser angustiado e voltado para a morte. Essa experiência não é um dado intelectivo, e sim, comprova-se no dado existencial, que é a angústia. Essa angústia, dado existencial que impulsiona o homem a compreender o sentido de viver, pode ser compreendida como sendo onipresente. Ela envolve o ser humano como um todo. Todos os socorros e todas as proteções são ineficazes para debelá-la. O homem sente-se completamente perdido e desolado. Só em Deus ele tem a resposta para o seu desterro. Não tendo coisa alguma no e do mundo como causa, a angústia teria sua fonte no mundo como um todo e em estado puro. O mundo surge diante do homem, aniquilando todas as coisas particulares que o rodeiam e, portanto, apontando para o nada. Este é o momento em que a fé dá ao humano a força e o impulso do salto em direção ao inesgotável mistério da confiança em Deus e da esperança nele.



[1] Huisman, Denis. História do Existencialismo. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2001, p. 38

[2] Moral esta, que passa a ser percebida enquanto “razão-de-ser”

[3] Sistema, enquanto “unidade”, “fechamento”, “hermeticidade”; isto é, aquilo que somente volta-se ao passado, sendo este, pronto, acabado. Pressupondo, assim, uma verdade dada.

[4] Mesmo contra a moralidade social, fazendo com que percebamos que Abraão estaria disposto a superar o sistema.

[5] Paixão em seu sentido primeiro; “a paixão da fé”. Isso nos faz até cair num chavão: “onde há paixão, há angústia, há dor”.

[6] Fé, aqui entendida como ‘um mergulhar no absoluto o qual não pode ser conceitualizado’.

[7] Huisman, 2001, p. 43