domingo, 9 de maio de 2010
Solidão; Kelly Patrícia
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Eu espero; Pe. Fábio de Melo
Se você soubesse o quanto é intenso no meu peito
O amor que eu tenho por você e o que guardo aqui dentro
Se você voltasse sempre, se houvesse intimidade
Certamente deixaria de implorar por outro amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, que eu preciso lhe dizer
Que eu espero por você
E não me canso de esperar
A porta aberta vou deixar
Se quiser pode voltar
E eu espero por você
E não me canso de esperar
Meu coração se alegrará
Quando você se aproximar
Se você se aproximasse do meu peito transpassado
Se aos pés da cruz ficasse, saberia o que é o amor
Se o amor que me oferece é tecido de palavras
Eu lhe estendo os meus braços, mostro em gesto o que é o amor
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Sem coração; Pe. Jonas Abib
Saudade: o olhar da alma que se volta para o que se-foi...
terça-feira, 4 de maio de 2010
Exercício do Existente!
Sofrer o sofrimento inevitável da vida, da morte...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Canção dos Imperfeitos!
E se for pra desculpar uma criança eu digo sim
E se for pra perdoar não tenho escolha
Também sou pecador, também preciso de perdão
Não sou santo e não sou anjo e nem demônio eu sou só eu
Imperfeito, insatisfeito, mas feliz, assim sou eu
Eu sou contradição, eu sou imperfeição, só deus é coerente
Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei
Já chorei. já fiz chorar, já me excedi, já magoei
Eu tenho coração mas sou contradição só deus acerta sempre
Por isso eu canto esta canção, canção de amor arrependido
Ao deus que é pai, ao deus que é paz, ao deus que é luz,
Ao deus que é vida
E quando a gente cai deus age como pai
Perdoa, perdoa
E torna a perdoar e ensina o como amar
Eu sou contradição mas deus, ele é perdão.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A dimensão da angústia e da existência dada segundo o pensamento existencialista de Sören Kierkegaard (1813 – 1855)

"Fiz-me abandonar
No mundo
Provando desertos
Em direções de sóis
E
Escavei meu rosto
No chão cotidiano
Até encontrar a caveira
De minhas verdades
E escrever no céu
Um grito liberdade"
(Hamlet).
O filosofo dinamarquês Sören Kierkegaard foi um sujeito atormentado e angustiado devido aos desgostos em sua existência. Caçula de uma família de sete filhos, ele nasceu
Fazer a pergunta fundamental: o que devo fazer? É para o filósofo o próprio método e o momento existencial no qual o ser humano procura responder à própria existência. Parece-nos, pois, que Kierkegaard é o primeiro a se debruçar sobre a temática que circunda a existência do homem, distinguindo-a de sua essência e, sobretudo, colocando para nós, através do episódio bíblico, o paradoxo que se estabelece entre a fé e a moral[2]. Diz-se que, enquanto Karl Marx operou uma ‘reviravolta’, Kierkegaard questiona esse indivíduo frente ao sistema[3]. Ou seja, para ele, o indivíduo deveria “apresentar-se” para não se perder daquele (sistema); ora, o sistema não mais poderia explicar o indivíduo. Nesse sentido, o indivíduo não poderia ser conceitualizado. Kierkegaard utilizara-se do exemplo de Abraão – o Pai da Fé – o qual escolheu realizar a vontade de Deus, a tal ponto de sacrificar a vida de seu próprio filho e, ressalta Kierkegaard, mesmo contra o sistema[4]. Como bem sabemos, ele formulara uma concepção existencial, por assim dizer, a qual compreenderia a três fases distintas, as quais “desembocariam”, nesse sentido, no “mar da paixão”. Onde a fase ética, assemelhar-se-ia a uma ‘farsa’, a um “embuste”, pois as regras “encobririam” o ato de liberdade e, nesse sentido, através da dimensão estética, o indivíduo passaria a ‘atuar’ num contexto de comédia, ao se voltar para o prazer e para puro entretenimento. Já na dimensão religiosa, esta “trama” passa a ter características de tragédia, porque a sua “força propulsora” é a paixão[5]. A grande guinada, por assim dizer, que Kierkegaard dá, é a forma de como ‘traduzir’ essa fé de Abraão; ele enfatiza que é esse Abraão, homem de fé – a viver o paradoxo – circunscrito em um clima de angústia e não desespero. A existência, desse modo, seria marcada por uma angústia constante entre “sim” e o “não”. Ora, o indivíduo ao se decidir, rompe com um dos lados, pois como o próprio nome nos diz, “de-cindir”. Essa decisão é a paixão, é esta quem afirma o homem. Sendo assim, a existência se dá num “salto”, no próprio arriscar-se a si mesmo – na fé[6]. O conceito, tal como o “sistema”, toma a existência passada, de forma que, nenhum destes, comporta em-si a existência de fato. Como o homem está constantemente optando, a vida, desse modo, não mais pode ser entendida como um conceito fechado, mas, o próprio fluir. Remetendo-nos, pois, ao conceito grego de “alethéia”; ‘aquilo que se apresenta, mas sempre reserva algo para si’. A partir dessas relações, nos encontramos frente à problemática relação do ‘infinito’ e do ‘finito’, aonde o “eu” vem como um terceiro termo. Eis, então, a chave de todo o pensamento existencial de Kierkegaard: a escolha. Fora ele quem brilhantemente colocara o conceito de escolha enquanto autenticidade da existência humana. Ou seja, as escolhas comprometem a própria vida – isto não fora, pelo menos no plano filosófico, nada inovador, pois, Agostinho percebera o homem, só é homem enquanto um ser de vontade e de escolhas. O ser humano mantém-se entre a dúvida e a fé, onde só se passa esse estágio num “salto”, o salto existencial de escolher e acolher algo como sendo essencial e verdadeiro à vida. Esta é a resposta que a fé nos oferece. A existência é e permanecerá sempre falta, uma “ascensão inacabada e inabalável[7]. Não cessamos de aspirar a uma plenitude enquanto vagamos no meio de uma incerteza infinita; é com a própria incerteza que nos demos contentar como verdade. O sentido autêntico da existência é viver-para-a-morte, pois o homem é um ser angustiado e voltado para a morte. Essa experiência não é um dado intelectivo, e sim, comprova-se no dado existencial, que é a angústia. Essa angústia, dado existencial que impulsiona o homem a compreender o sentido de viver, pode ser compreendida como sendo onipresente. Ela envolve o ser humano como um todo. Todos os socorros e todas as proteções são ineficazes para debelá-la. O homem sente-se completamente perdido e desolado. Só em Deus ele tem a resposta para o seu desterro. Não tendo coisa alguma no e do mundo como causa, a angústia teria sua fonte no mundo como um todo e em estado puro. O mundo surge diante do homem, aniquilando todas as coisas particulares que o rodeiam e, portanto, apontando para o nada. Este é o momento em que a fé dá ao humano a força e o impulso do salto em direção ao inesgotável mistério da confiança em Deus e da esperança nele.
[1] Huisman, Denis. História do Existencialismo. Bauru, São Paulo: EDUSC, 2001, p. 38
[2] Moral esta, que passa a ser percebida enquanto “razão-de-ser”
[3] Sistema, enquanto “unidade”, “fechamento”, “hermeticidade”; isto é, aquilo que somente volta-se ao passado, sendo este, pronto, acabado. Pressupondo, assim, uma verdade dada.
[4] Mesmo contra a moralidade social, fazendo com que percebamos que Abraão estaria disposto a superar o sistema.
[5] Paixão em seu sentido primeiro; “a paixão da fé”. Isso nos faz até cair num chavão: “onde há paixão, há angústia, há dor”.
[6] Fé, aqui entendida como ‘um mergulhar no absoluto o qual não pode ser conceitualizado’.
[7] Huisman, 2001, p. 43