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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O que de ti em mim ficou?




Em mim, nitidamente,
restou um vazio.
Lacuna antes ocupada
pelo inexorável brilho dos teus olhos.

Em mim ficou a saudade,
desbaratinada e loucamente aguda.
Aflita e miúda.

Em mim, restaram apenas
os dias finitos de convivência.
Ardência, intensa.

Em mim ficou teu cheiro
amiúde, frondoso.


Em mim ficou a lembrança
do que foi vivido
e jamais será esquecido.





Luiz Felipe P. de Melo
01/09/2011

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Uma noite fria do mês de agosto


Meu coração me diz

Que não posso mais

Voltar atrás.

E me iludir,

E pensar que sou capaz

De viver um grande amor.

Perder-me de mim,

Numa louca tentativa

De te encontrar.

E fingir que nada sou,

E que nada fiz

Para suportar um tal amor.

Mais que querer,

Foi um surto dos sentidos

Que muito me fez chorar.

Como descaminhei,

E parei até de sonhar

Apenas porque me fiz acreditar.

Tolice de quem ama,

Bobagem de quem sonha.

Apenas ilusão!

Ora, quem não descobriu o amor,

Jamais saberá como amar.

Visto que, o amar é a prática do amor.

Entristecido, neste momento vou eu,

Seguindo meu caminho:

De tristeza, dor e breu.

Luiz Felipe P. de Melo.

09 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de março de 2009

Pausa Poética...


As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.


Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.


Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.


Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 3 de março de 2009

Eu x Eu


Sou mais que podes ver.

Talvez mais do que desejais ter.

Sou mais do que realizo.

Eu sei...

Sou mais do que amo,

Sou mais do que vivo,

Sou mais do que sinto.

Talvez mais masi do que me vejas.

Sou mais do que sonho...

Eu sei...

Talvez!

Sou mais que fantasias.

Talvez eu seja para ti só agonia.

Sou mais do que o 'nada'...

Talvez eu seja o 'todo',

Ou mais um tolo!

Talvez eu ainda seja criança.

De vós, apenas um vento...

Um momento!

Das coisas, um medo.

Da vida uma esperança...

Eu sou uma expectativa.

Eu sou quem se compraz de si mesmo.

Pietivamente...

Eu sei!

Eu sei que sou assim mesmo!



Recife, 03 de março de 2009.

Luiz Felipe P. de Melo.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Talvez II






Talvez nem mais se queira falar do amor,

E nem mais se queira viver o amor.

Talvez os nosso desejos

Sejam meros devaneios efêmeros.

Talvez você seja

Mais um prelúdio idealizado.

Talvez nossa canção não mais toque no rádio

E juntos percebamos que tudo não passou de um sonho.

Talvez ainda exista amor entre nós,

Porém nos acovardamos a tal ponto

Que não resistimos à fuga

Talvez eu ainda seja um sonhador

E você, um alguém cheio de experiências.

Talvez eu seja mais um em sua vida,

E você seja único.

Talvez eu pense em etrnidade,

E você somente em 'instatânealidade'.

Talvez eu sonhe de maneira passiva,

E você possa ser a realização.

Talvez eu me encante comigo mesmo,

E me encontre no cantinho do te coração.

Talvez eu duvide do que se passou

E do que juntos pudemos experimentar.

Talvez eu fosse só mais uma ilusão,

Só mais um em meio a tantos.

Talvez eu nem queira tanto

Aqueles teus beijos.

Talvez nos encontremos,

Algum dia, no chão da vida

E juntos percebamos quão melhor foi assim.

Talvez eu não mais acredite em amores,

Em paixões...

Para sempre me torne solipisista.

Mas, com razão não terei tanto que sofrer

Com decepções, com preocupações...

As quais tanto me ensinaram a viver.



Luiz Felipe P. de Melo.

Madrugada de 14 de fevereiro de 2009.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Verbalizando, poetizando, tornando o amor em versos...


Verdades Ocultas

Estou no quarto, deitado, pensando.
Olho pra janela e vejo...
Vejo que as coisas mudaram,
O verde não é mais os mesmo.
O azul do céu não tem mais intensidade,
A brisa não me refresca mais...
O ar está abafado.
A paisagem se transformou,
A mudança, que tanto temia, vem chegando.
Olho as mãos e vejo um encalecimento.
Prostro-me diante ao espelho e noto...
Noto o tão temido envelhecimento.
A minha voz suave se perdeu de mim,
E agora me vem um forte-grave som.
O meu olhar ávido de alegria,
Continua chafurdado de tristeza; de dor.
Minha face resplandece revolta,
Em meus ouvidos ecoam um grito de liberdade.
Meu coração palpita lentamente.
Lanço o olhar ao nada e, vejo...
Vejo que as coisas que me cercam,
Estão cheias de mim.
Olho pro relógio, companheiro destemido,
O qual produz um tic-tac ensurdecedor.
As horas voam,
E como eu também queria.
Olho pra minha cama,
Lembro-me de noites mal-dormidas.
Volto à janela, olho tudo em volta.
Tudo é tão estranho,
Sem cor, disforme, sem cheiro.
Olho para a lembrança daquela árvore,
E noto que ela não está mais ali.
Agora, volto-me pra dentro de mim.
Deparo-me com minh`alma,
E penso que ela poderia ser mais bela.
É uma alma grande e quase completa,
Mas, ainda há um pequeno-grande espaço,
Entre ela e o meu coração.
Penso que o que me resta é libertar-me;
Libertar minha alma deste corpo medíocre.
Meus pensamentos andam a passos ligeiros.
E quase sempre durante este caminhar,
Esbarro num empecilho.
Volto ao mundo sensível...
Caminho rumo à porta,
Ao abrir, deparo-me com o mundo...
E ao sair, circunscrevo-me nele.