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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sentindo os pés no chão...

Tocando o solo de minha existência, eu vou tocando a Vida pra frente.
Esta, que nem sempre merece ser "vivida"... às vezes, me dá uma vontade de partir.
Quiçá, desejo passageiro, repentino... outras, persistente devaneios de minh`alma.

Agora, nesse exato momento, queria estar distante do passado, se possível fosse, apagaria uma parte do que deixei lá atrás, vivendo de encantos e decepções, mais uma vez estou restituindo-me, como que uma fênix que renasce das cinzas.

Queimado e em meio ao pó do que foi e do que passou, dou conta que não valeu à pena as lágrimas que caíram, as dores e as náusea que me acometeram... todos os tremores soam, como que uma tempestade incapaz de roubar-me de mim mesmo.

Distanciando-me e com os pés fixos ao chão, vou deliberando meus sonhos mais uma vez.
Reconstituindo um pouco do que já fui e do que já vivi!



Por hoje é só...
Pax!


quinta-feira, 19 de março de 2009

Filhos da Páscoa; por Pe. Fábio de melo, SCJ




Da esperança, a dor; o sentido oculto que move os pés; o desejo incontido de ver as estradas se transformando, aos poucos, em chegadas rebordadas de alegrias.





Ir; um ir sem tréguas, senão as poucas pausas dos descansos virtuosos que nos devolvem a nós mesmos. Idas que não findam e que não esgotam os destinos a serem desbravados. Passagens; páscoas e deslocamentos.





Eu vou. Vou sempre porque não sei ficar. Vou na mesma mística que envolveu os meus pais na fé, os antepassados que viram antes de mim. Vou envolvido pela morfologia da esperança; este lugar simples, prometido por Deus, e que os escritores sagrados chamam de Terra Prometida. Eu quero. O lugar sugere saciedade e descanso. Sugere ausência de correntes e cativeiros...





Ainda que o caminho seja longo, dele não desisto. Insisto na visão antecipada de seus vislumbres para que o mar não me assuste na hora da travessia. Aquele que sabe antecipar o sabor da vitória, pela força de seu muito querer, certamente terá mais facilidade de enfrentar o momento da luta. O povo marchava nutrido pela promessa. A terra seria linda. Nela não haveria escravidão. Poderiam desembrulhar as suas cítaras; poderiam cantar os seus cantos; poderiam declamar os seus poemas. A terra prometida seria o lugar da liberdade...





Mas antes dela, o processo. Deus não poderia contradizer a ordem da vida. Uma flor só chega a ser flor depois que viveu o duro processo de morrer para suas antigas condições. O novo nasce é da morte. Caso contrário Deus estaria privando o seu povo de aprender a beleza do significado da páscoa. Nenhuma passagem pode ser sem esforço. É no muito penar que alcançamos o outro lado do rio; o outro lado do mar...





E assim o foi. O desatino das inseguranças não fez barreira às esperanças de quem ia. O mar vermelho não foi capaz de amedrontar os desejantes da Terra, os filhos da promessa. Pés enxutos e corações molhados, homens e mulheres deitaram suas trouxas no chão; choraram o doce choro da vitória, e construíram de forma bela e convincente o significado do que hoje também celebramos. A vida cresceu generosa. O significado também. Ainda hoje somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa.





Os mares existem; os cativeiros também. As ameaças são inúmeras. Mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva dizer: Eu não vou desistir!E assim seguimos. Juntos. Mesmo que não estejamos na mira dos olhos.








O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos em travessia...




Pe. Fábio de Melo, SCJ.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Paixão, o que será?




Do ponto de vista filosófico, tanto o amor, quanto a paixão e a amizade podem ser definidas como tendências proveninetes da sensibilidade, as quais são capazes de nos "transportar" para um ser ou um objeto reconhecido ou sentido como sendo um bem. Ou, tal como disse Descartes: "o amor é uma emoção da alma causda pelo movimento dos espírito vitais que leva a unir-se voluntariamente aos objetos os quais lhes parecem ser convenientes". Todavia, vale ressaltar que, paixão; amor e amizadese distiguem.




Por exemplo, os gregos foram bastante sábios quanto a percepção distinta de três significações para a palavra amor. "Phylya" (amor fraterno); "Eros" (amor carnal) e por fim, o "Ágape" (amor divino). Contrariamente, a palavra paixão vem do latim, "passion", que quer dizer 'sofrimento', por isso a "Paixão de Cristo".




Agora, podemos nos questionar: Por que, então, falar de sentimentos tão subjetivos? Não somente nos basta vivê-los? A minha resposta é não! Em qualquer que seja o momento histórico-existencial, o amor tal com a paixão entre duas pessoas é algo bastante complexo de ser explicado e, sobretudo, de vivenciar, experimentar.




Existem, atualmente, distintas correntes para as quais a grande dificuldade que se impõe é a de conceituar, ou melhor, diferenciar o amor da paixão. Tanto na filosofia, quanto na psicologia e sociologia existem diversos expoentes que tentam chegar à argumentos plausíveis acerca de tal compreensão. Um deles é o sociólogo Francesco Alberioni. A paixão, segundo ele, seria entendida como uma revelação, uma fulgração que transforma toda a nossa vida. Pois bem, nesse sentido, a paixão, é pois, o advento do 'extraordinário' o qual nos retira da tranquilidade - aparente - da nossa vida e de nosso existir, onde, os chamados "laços afetivos" encontram-se já consolidados, e nos lançam ao predomínio tirânico e fictício. Em outras palavras, somos lançados para fora de nós mesmos, afim de nos encontrarmos no outro; sendo o outro a nossa completude (nem que seja naquele instante). A paixão, entendida dessa forma, é a transfiguração da qualidade de ser e estar, mais da qualidade de estar do que a de ser; é o que nos leva alterar de modo significativo a nossa vivência, ou seja, o nosso modo de ser e agir. Hoje fala-se até numa ética passional, sobretudo, ligada à uma espécie de fetiche, de 'sado-masoquismo'.




Ainda, segundo a acepção de Alberioni é um "estado nascente" que pode levar uma pessoa a descobrir outra, ou tão somente descobrir ideais comuns, os quais a façam ligar-se à uma pessoa, grupo ou movimento. Desse modo, a paixao aqui é tida como um impulso vital, o qual suscita em nós o ardente desejo de explorar todos os possívei de nosso existir, que faz-nos des-cobrir, tirar o véu, des-velar emoções intensas, ativando, assim, a nossa imaginação, tornando-nos mais dinâmicos, pro-ativos.




Por fim, gostaria de evocar Voltaire:




As paixões são como as ventanias que enfunam as velas dos navios: algumas vezes os submergem , mas sem elas não podem navegar.




Luiz Felipe P. de Melo.


Madrugada de 17 fevereiro de 2009.


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Volta às aulas...


"Acredito que os filósofos voam como as águias e não como pássaros pretos. É bem verdade que as águias, por serem raras, oferecem pouca chance de serem vistas e muito menos de serem ouvidas, e os pássaros pretos, que voam em bando, param em todos os cantos enchendo o céu de gritos e rumores, tirando o sossego do mundo." (Galileu Galilei)

sábado, 31 de janeiro de 2009

É preciso caminhar...


Coragem!


Falta-nos muito...


O caminho é longo e estreito...


Difícil de seguir sozinho...


Mas, o Senhor é o Pastor que nos conduz...


Nada nos pode faltar!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

... Questionamentos ...


Por quê?

Por que será que o nosso coração não segue a razão?
Por que a estrada do amor é tão desgastante?
Por que é que tanta gente entra e sai das nossas vidas?
Por que tudo que é bom dura tão pouco?
Por que amar faz-nos sofrer?
Por que parece que ninguém nunca nos compreende?
Por que quando não queremos e nem pedimos o tolo do nosso coração tende a se entregar aos efêmeros devaneios da paixão?
Por que quando estamos apaixonados os nossos olhos somente conseguem contemplar as virtudes do outro?
Por que será que sofremos quando vemos partir quem amamos?
Por que tanta gente sofre por causa do amor da gente?
Por que será que nós não damos valor a quem sempre está por perto, preferindo, assim, sempre o impossível?
Por que é que nos deixamos iludir quando não dá mais?
Por que acreditamos cegamente nas verdades do outro quando o amamos?
Por que é que sentimos a necessidade de estar ao lado de alguém?
Por que somos condicionados pelas nossas escolhas?
Por que, ainda hoje, tanta gente ainda sofre de amor?
Por que há em nós a necessidade de amar?
Por que parece ser mais fácil dizer “gosto muito de você”, ao invés de dizer “eu te amo”?
Por que insistimos em nos esconder de nós mesmos?
Por que nos debruçamos sobre um passado sombrio e tenebroso?
Por que pensamos que somos os únicos, os melhores?
Por que tanta gente mata tanta gente?
Por que é mais fácil falar do que agir?
Por que a teoria é tão bela e a prática tão desastrosa?
Por que nos despedimos se ainda vamos nos encontrar?
Por que é que tanta gente pratica o bem esperando recompensa dos seres humanos?
Por que tantos morrem por desamor?
Por que tendemos aos mesmos erros do passado?
Por que nos ocultamos dentro de máscaras tão artificiais?
Por que sonhamos passivos?
Por que não lutamos?
Por que a nossa vida se torna vazia, sem sentido?
Por que tão facilmente verbalizamos o amor e não somos capazes de vivê-lo, propagá-lo?
Por que valorizamos tanto o novo e nos esquecemos do que deixamos para trás?
Por que tanta gente descobre, inventa e nós continuamos os mesmos?
Por que parece que a nossa dor é sempre maior que a do outro?
Por que a morte causa estranheza, medo, separação?
Por que as pessoas não se realizam com o que têm?
Por que dizemos que morremos de amor, quando na verdade deveríamos viver em função dele?
Por que buscamos sempre nos acomodar e esquecer as nossas fraquezas?
Por que não trabalhamos a nossa vida espiritual?
Por que fazemos de Deus (independente da crença) SOS ?
Por que procuramos aonde encostar a nossa cabeça durante a noite e durante o dia queremos andar sempre tão eretos?
Por que só vamos ao dicionário quando dele necessitamos?
Por que não gostamos de nos informar, de estudar, pesquisar?
Por que é tão fácil comprar pronto e não fazê-lo?
Por que quanto mais perto estamos pior fica a nossa visão?
Por que para ser feliz é preciso sofrer?
Por que nos angustiamos tanto com o que nos falta e tão pouco nos alegramos com aquilo que possuímos?
Por que é que repetimos frases decoradas e não pensamos em nós mesmos dizer aquilo de outra forma?
Por que é que nos omitimos diante das injustiças? (e depois dizemos: “isto era pra ser assim”).
Por que quando nos aproximamos da vitória esmorecemos?
Por que nem sempre encontramos respostas coerentes e plausíveis aos nossos questionamentos?

Por quê? Por quê? Por quê?



Luiz Felipe Pereira de Melo.
09 de janeiro de 2009.